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G20. Atualizações sobre o julgamento contra Riccardo

via CONTRAINFO

tradução por TDF

A data para a audiência contra Riccardo Lupano, anarquista acusado de cometer delitos durante os dias de revolta contra o G20 em Hamburgo no mês de Julho, está marcada. A audiência será realizada no dia 5 de Outubro na corte de Hamburgo.

Nós convocamos todas as pessoas à participarem em solidariedade presencial, organizada para este dia, na sala da corte (onde estará Riccardo) e na corte, bem como nas atividades que serão promovidas em Genova ao longo dos dias. Mais atualizações serão divulgadas em breve.

Encontro para discutir iniciativas de solidariedade e atualizações sobre o caso:

Terça, 19 de Setembro, 20 horas.

Il Mainasso – 6, Praça Santa Maria em Passione, Genova.

Comunicado do anarquista Marcelo Villarroel Sepúlveda

Essa é uma carta do prisioneiro anarquista Marcelo Villarroel Sepúlveda acerca do caso do anarquista Santiago Maldonado que ainda se encontra desaparecido. É também um chamado para ação. Suas palavras são bem-vindas compa!!! Fogo nas cadeias!!! Nós queremos nosso compa Santiago Maldonado vivo agora!!!

tormentas de fogo

EM LUTA CONSTANTE CONTRA TODAS AS JAULAS, A AMNÉSIA E A COVARDE PASSIVIDADE!!!

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Estas palavras nascem e se tornam necessárias quando é preciso abraçar a todxs que se entregam sem limites ao buscar encontro com a libertação total.

Pela expansão da revolta, pela inequívoca confrontação com o poder, pela extensão das práticas autônomas da negação da dominação e tudo o que torna possível sua existência.

Enquanto escrevo, ódio e raiva me guiam… Enquanto cada qual percebe sua vida, existe uma queridx compa que nos falta…

SANTIAGO MALDONADO, o “Lechu”, o “Brujo”, desapareceu.
E não posso ficar em silêncio ou ignorar sua ausência física.

Desde que tivemos de viver a prisão na região dominada pelo Estado argentino, nossos passos se cruzaram. Nxs presxs, na província de Newken e Santiago, acenando na cidade de La Plata, ao lado de um universo de ativxs companheirxs, solidarixs e cúmplices…

Já se passaram mais de 9 anos desde que nossos passos se cruzaram no  contínuo caminho da irmandade, este caminho que nos coloca ambxs no mesmo lado da trincheira.

Porque há que dizer claramente: Estamos em guerra contra a opressão e a miséria! Contra toda a polícia, Estados, países e os covardes que acomodam seus discursos para torná-las inofensivas e integradas.

Não há como esquecer nunca que nós que decidimos continuar a ofensiva, assumimos o risco permanente. Não somos vítimas passivas das circunstâncias nem merxs espectadorxs.

É assim como Santiago, em completa coerência com seu sentimento anárquico, foi desaparecido desde 1 de agosto pela Gendarmería (força intermediária entre a Polícia e o Exército), enquanto solidarizava ativamente com a luta Mapuche em Cushamen, província de Chubut, ao sul da Argentina e próxima à fronteira com o Chile.

Já faz um mês e Lechuga não aparece. E embora Santiago esteja entre todxs nós que não esquecemos nem abandonamos a luta diária, a sua presença física nos falta.

Nós o traremos de volta revidando golpe por golpe, multiplicando seus gestos e atos em todo o planeta e contra os miseráveis responsáveis por não o podermos abraçar.

Da prisão, hoje, meu chamado é para aprofundar o ataque contra a amnésia e o medo. Porque quem diz creer em anarquia deve agir com concordância à dita convicção.

Centenas de prisioneirxs revolucionárixs ao redor do mundo unidxs por convicções semelhantes, somos a expressão viva de uma luta sem pátrias e sem fronteiras que busca a destruição total de todas as cadeias, gaiolas e cárceres onde vivem grande parte da gente desse planeta.

São tempos de combate, não podemos ocultar o evidente.

O fogo rebelde e ancestral está incinerando as máquinas do capital predatório, o sangue insurrecto derramado de nossos compas que caíram acompanham nossos rituais de guerra, nossas silenciosas conspirações buscam a única justiça possível: a vingança se faz urgente e necessária.

POR SANTIAGO E TODXS XS NOSSXS QUE CAÍRAM: NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO E TODA UMA VIDA DE COMBATE!!!

SOLIDARIEDADE E FRATERNIDADE INTERNACIONAL PELA DEMOLIÇÃO DE TODAS AS PRISÕES!!!

ATÉ A DESTRUIÇÃO DO ÚLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda, prisionero libertário.

Presídio de segurança máxima.

Santiago, Chile.

30 agosto 2017.

via CONTRAINFO

Outro comunicado do anarquista preso Fernando Bárcenas

Mensagem recebida por e-mail 04/09/2017:

“Para xs compas rebeldes e aquelxs que não entendem o mundo à sua volta

Mais uma vez estou aqui escrevendo neste espaço de reflexão que me permite conhecer a mim mesmx e entender um pouco mais que sou livre, apesar de tudo.

É verdade que eu tenho estado num silêncio imposto por mim mesmx por vários meses porque meu humor está mudando, como tudo na vida, e às vezes eu gosto da solidão…

No entanto, agora que retomei o desejo de escrever, quero fazê-lo principalmente por 2 coisas; primeiro, para reiterar minha posição de guerra diária, porque às vezes algumas pessoas esquecem ou fingem esquecer que vivemos na guerra. E em segundo lugar, para esclarecer algumas coisas e questionar os outros sobre como aqui de dentro a solidariedade dxs compas no lado de fora.

De qualquer forma, para aqueles que não sabem muito sobre essas questões, serei breve em dizer que desde dezembro de 2013 sou prisioneiro por ousar atacar e questionar o modo de vida que nos impõe. Por essa razão, a postura do inimigo (o estado e o grande capital financeiro) foi clara, não haverá trégua, não há nenhum jeito de que alguém, consciente de sua rebeldia, que enfrenta sua realidade ditando suas próprias regras, possa deixar a prisão física, pois é um perigo potencial para a sua sociedade.

A prova disso é que mesmo na prisão, passei 3 de 4 anos em zonas de segregação, por manter uma atitude consistente com minhas idéias…

No entanto, isso não é tudo, mas eles também fizeram tudo de possível para impedir todos os procedimentos legais e recursos juridicos.

A única maneira de fazê-los ceder é ante a uma força maior, isto é, a força da solidariedade…

Agora, eu também quero esclarecer que nunca convoquei uma campanha pela minha liberdade. Pois se eu bem penso que seja necessário sair detrás dos muros, acho que isso deva ser feito de maneira que provoque uma ruptura e até mesmo a luta pela liberdade dxs compas presxs se torne um detonador, uma faísca que pode inflamar o resto de a população e, finalmente, entendo que não se pode lutar contra a prisão sem lutar contra toda a sociedade…

É por isso que sempre nos rebelamos pelas ruas, que são os grandes corredores que aprisionam nossos sonhos…

Então, isso é uma incitação à revolta e à atividade, não só para minha liberdade, mas para a liberdade de todxs.

Você não precisa de jornadas de luta ou de uma organização que lhe diga o que fazer, teste sua criatividade, vandalize os estabelecimentos, coloque faixas nas pontes, detone dispositivos explosivos, obstrua os canais de comunicação, deixe os de cima saberem e compreendam que eles não podem te controlar.

A guerra segue até que todxs sejam livres!

Fernando B.

Reclusório Norte, Cidade do México, 31/08/2017

tradução por tormentas de fogo

via CONTRAINFO

Comunicado do anarquista preso Fernando Bárcenas

Mensagem recebida por e-mail 04/09/2017:

Em primeiro lugar, esta é uma carta de esclarecimento, acredito que é difícil para as pessoas entender posições, idéias e formas de luta que sobrepõem violentamente os valores desta sociedade.

Então, neste sentido, quero esclarecer: quando digo que rejeito todas as formas de mediação e neguei ter representantes, falo não apenas de organizações e partidos políticos, mas de qualquer pessoa que tente controlar minha vida e use minha condição de prisioneiro para manipular e/ou anular minhas palavras e pensamentos.

No entanto, essa reflexão é muito mais profunda do que você pensa, porque, nos ambientes de pessoas supostamente conscientes da dominação, prevalecem muitos valores autoritários que sem querer e às vezes inconscientemente perturba e contribui ainda mais para impedir as pessoas que se pretende ajudar de alcançarem sua liberdade.

Uma dessas formas, por exemplo, é atribuir à família dxs presxs o poder de decidir o que é bom ou certo fazer para exercer pressão ou não no sentido de um adiantamento na libertação de companheirxs ou a expansão da revolta contra a prisão “fora” das paredes.

Quando um presx que não reconhece nenhuma representação manifesta essa posição, também fala de seus familiares e pessoas mais diretas, porque apesar de serem vínculos emocionais em sua vida, é necessário lembrar que a família é o núcleo e a primeira instituição que fomenta e reproduz esta prisão/sociedade.

Os valores da família tradicional burguesa reproduzem o domínio e a subordinação dos membrxs à estrutura estatal e, por essa mesma razão, reproduzem a dominação nas relações familiares que, disfarçadas de amor e carinho, entendidos à maneira burguesa, só degeneram em mais dominação.

Talvez os membros da família nunca o façam com a intenção de prejudicar xs entes queridxs, ao contrário, mas isso é algo que o sistema de dominação conhece bem e depois usa as famílias dxs presxs (por exemplo) para impedir qualquer ato de luta que possa vir de parceirxs afines que entendem que, enquanto alguém (família ou amigxs) continuar a dialogar e fazer o jogo estatal, não haverá maneira real de atacar seus interesses e retardar a repressão…

Fernando B.

Reclusório Norte, Cidade do México, 31/08/2017

tradução por tormentas de fogo

via CONTRAINFO