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“SOLIDARIEDADE É AÇÃO!”

“SOLIDARIEDADE É AÇÃO!”

via Sin Banderas Ni Fronteras

A polícia civil do Rio Grande do Sul invadiu, na madrugada de 25 de Outubro de 2017, espaços e lugares anarquistas – no contexto duma investigação por ataques contra bancos, esquadras da polícia, empresas, automotoras e sedes de partidos políticos, realizados por grupos anárquicos, nos quatro últimos anos, em Porto Alegre.

Tudo isto ocorre na véspera da 8ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre – cuja abertura seria a 27 de Outubro – e que foi suspensa até novo aviso, face aos acontecimentos.

Operação Érebo, é este o nome dado ao novo golpe repressivo contra companheirxs anarquistas. Erebo (negrura) era um deus primordial da obscuridade e sombra, na mitologia grega.

Tudo isto se desenrola, segundo a repressão, no âmbito de uma investigação iniciada há um ano – acerca de um ataque a um veículo nas proximidades de um quartel policial – investigação que contemplaria mais de trinta suspeitxs, entre xs quais e segundo palavras do Director da Polícia Metropolitana (Fábio Motta), se contariam pessoas do Brasil, Chile, Bolívia e França. Estas pessoas, segundo declarações na imprensa do chefe da Polícia Civil (Emerson Wendt), conformariam uma organização que se posiciona “contra toda a forma de poder, controlo e moral existente na sociedade”.

A repressão exercida pelos bastardos é do mesmo tipo que noutros operativos repressivos já feitos sentir na região do cone sul* – tal foi o caso da Operação Salamandra (“Caso Bombas”, Chile, 2010) ou da repressão contra meios anarquistas na Bolívia, em Maio de 2012 – confiscando livros, máscaras, folhetos, cartazes, computadores e, particularmente neste caso, uma grande quantidade de eco-tijolos, apresentados pela polícia como bombas molotovs.

As acusações levantadas pela repressão incluem intenção de homicídio, organização criminosa, formação de gangues e danos a património público com material explosivo.

Por seu lado, a imprensa corporativa local desenvolve o seu papel de colaboração miserável – de forma a validar e justificar a operação repressiva. Num dos noticiários, um repórter exibe nas mãos (sem luvas) uma das provas que considerava mais evidentes para dar conta da periculosidade do suposto grupo criminal: um exemplar do livro “Cronologia da confrontação anárquica”, que recompila ações diretas levadas a cabo no território dominado pelo Estado do Brasil.

Para lá das evidências e das acusações vemos, novamente, como as estratégias repressivas dos Estados são internacionalizadas e atingem ambientes anti-autoritários e companheirxs – tentando impedir o avanço da luta anárquica em todas as suas formas e expressões.

Perante isto, a nossa resposta só pode ser uma: a solidariedade internacional e o fortalecimento das redes de ação e coordenação, potenciando a ofensiva anárquica, em guerra contra os Estados e toda a forma de poder.

Do Chile ao Brasil, solidariedade, agitação e ação direta, contra toda a autoridade!

Sin Banderas Ni Fronteras, núcleo de agitação anti-autoritária.

Chile, 26 de Outubro de 2017.

*Cone Sul; a área mais austral da América Latina, conformada por Argentina, Chile e Uruguai, Paraguai, Ilhas Malvinas e a Região Sul do Brasil.

Chile – Convite às Jornadas Anárquicas Valpo 2017

via TURBA NEGRA

As Jornadas Anárquicas nascem de iniciativas individuais e coletivas em
Valparaíso, para propor um local de encontro para práticas e ideias
anti-autoritárias, estas jornadas serão realizadas de 21 a 26 de
novembro em diferentes espaços e de diferentes temáticas para
aprofundar as posturas e práticas anárquicas. O objetivo é atrair a
fraternidade e a auto-aprendizagem, gerar a comunicação entre diversas
experiências e lutas em relação à expansão da revolta.

Este ano tem sido agitado na luta contra o poder, tanto interna como
externamente, a realidade se faz confusa, o avanço dxs inimigxs continua
a atacar sem escrúpulos todx rebelde e comunidade em resistência. Nesse
contexto, nós somos habitantes de uma Valparaíso que vive a catástrofe
do capital: com sua gentrificação e turismo da decadência cultural da
mercadoria, com a expansão do porto, a multiplicação de câmeras de
vigilância, a xenofobia e a polícia. Em tempos de eleições, o circo é
evidenciado de sua maneira mais ridícula e arrogante. A democracia e sua
retórica de merda infectam os posicionamentos cidadãos e partidários. A
IIRSA COSIPLAN avança com seus projetos por todo o hemisfério sul; mas,
por sua vez, as diversas críticas e práticas de ação direta e
solidariedade também tomam com mais força e presença; nunca esquecendo
que princípios, meios e fins não devem se confundidos, enfatizando as
contradições, agitando a revolta e as idéias anti-autoritárias.

São tempos difíceis, mas as convicções seguem intactas. Hoje, mais que
nunca precisamos desenvolver nossas posturas, nossas formas de
organização e idéias de liberdade; em tempos de guerra, o que nos resta
é a irmandade, nossos princípios e práticas, a auto-aprendizagem e o
companheirismo. Na tensão do conflito desencadeado é que os
posicionamentos emergem, de diferentes leituras e indivíduxs; porque
este sistema quer a submissão é que apelamos para a rebelião, na memória
histórica de luta anti-autoritária. Sempre é hora para nos rebelar: é aí
onde vive a anarquia, no lado indômito de nossa luta, inimigo acirrado
do poder, sem pactos nem mesquinhez, sem mentiras nem dupla intenção. É
por isso que consideramos necessário multiplicar os momentos de
encontro, onde se aproximem experiências e perspectivas, fraternidade e
companheirismo. Que nosso espírito rebelde não se apague, que a
fraternidade viva na anarquia e que destruíamos a autoridade. Às vezes,
é bom tomar um ar, ver de que lado avança e acender o pavio; outras
vezes, parar, contemplar o local e se encontrar com seus pares:
conspirar e se retroalimentar. Porque o capital e o estado seguem
impávidos com seus lacaios servis, que os conflitos se expandam por
todos os cantos onde exista autoridade.

Porque lembramos dxs compas que se foram: El Brujo, Chente e Zorrita.
Porque não esquecemos dxs sequestradxs pelo estado.

Convidamos todxs aquelxs que querem e sentem a necessidade de se
encontrar, auto-aprender, e se solidarizar com as lutas anárquicas.

Alimapu, Primavera de 2017

Bra$il – Operação Érebo a terra se move. Agitações e reflexões anárquicas o vento sopra.

via e-mail [tormentasdefogo@riseup.net]

17/11/2017

Operação Érebo a terra se move.

Agitações e reflexões anárquicas o vento sopra.

No amanhecer do dia 25 de outubro de 2017 o tempo fechou para os/as anarquistas de Porto Alegre. A policia Civil com a Operação Érebo pôs em marcha invasões e assaltos televisionados pela mídia local e transmitidos pelos autofalantes do sistema em volume máximo.

A partir desta reação policial, do show e escrache midiático, e da agitação na órbita anarquista mil e uma necessidades, urgências, ideias, impulsos e sentimentos nos atravessaram. Desta reflexão nasceu esta vontade de comunicação. Apontamos nossa determinação contra o inimigo e firmamos o passo com quem faz viver a anarquia em suas posições e práticas.

Nossa natural tendência ao caos.

Somos, existimos e agimos para além do Estado, as leis e a democracia. Procuramos e espalhamos autonomia, mas sabemos que ela não se consegue negociando com o poder1.

Herdeiras/os das lutas pela liberdade e pela terra, dos guerreiros que ainda nos ensinam que se pode existir de várias maneiras para além da sociedade imposta. Sentimos uma inconformidade que persiste e insiste.

Olhando desde esta beira do rio, a democracia é só mais uma forma (atual) em que a civilização domina, mata e tenta apagar formas de existência que vazam da ordem militar e da obediência cega. Ainda mais, essa democracia que se apresenta como “o” valor de moda. E muitos caem cegos, ou ofuscam os olhos pelo seu brilho. Mas quem ama ser livre sabe que é só uma forma de governar e a vida é ingovernável, como os rios que mudam seu andar, como os animais que atacam seus domadores, como os povos que não se “vendem” ao trabalho escravo da sociedade ocidental. Assim a democracia é um ideal incompatível com quem não se deixa governar.

Suas máximas, os direitos, são ferramentas de colonização e de um humanismo que ainda distingue humanos de primeira, segunda, terceira, e mais categorias. Pode alguém defender isso?

Suas punições, as leis, são correntes que alguns adoram, mas que punem e marcam a quem tendo fome rouba e não mendiga.

A negociação com esse mundo é impossível, nossa relação com ele só pode ser o antagonismo2.

Tentam dominar e não podemos deixar de lutar contra isso, sem trégua. Nessa tendência instintiva à liberdade sem regras nem ordem, reconhecemo-nos no caos da anarquia.

A busca por anarquia é por si só um desafio ao poder. Todas as perspectivas da anarquia se propõem a desmantelar as instituições do poder. Podem ter desencontros de como fazê-lo, mas todo anarquista quer os Estados, corporações, suas instituições e valores em ruinas. Disto acreditamos não estarmos enganados. Desta forma o desejo pela anarquia na democracia é por si criminoso.

Não estando no código penal, o anarquismo e a afinidade com ele não são efetivamente crimes. O que nos dá uma margem de ação e deixa mais liberdade para se identificar com ele. Mas a corda dessa liberdade não é muito cumprida.

A chave que desfez o mistério. Plantas exóticas e agitação anárquica.

A ideia de que seres alienígenas chegam trazendo o “mal” é um mecanismo de controle e repressão antigo. Desde a Europa, vários compas anarquistas, expulsos ou foragidos, chegaram neste continente. Aqui eles foram detectados e catalogados como plantas exóticas, inços de ideias e ações perigosas.

Na última década do século XIX os senhores do poder já expulsavam anarquistas considerados nocivos para a “paz social”. Ou seja, seres indomáveis, feras que não se submetiam às leis e à ordem que garantem a exploração. Recordamos de Giuseppe Gallini que junto a outros companheiros agitadores na cidade de São Paulo foram presos e expulsos. Lembramos também de José Saul, expulso da cidade de Pelotas por ser um agitador anarquista. Mesmo destino tiveram vários outros compas anárquicos.

Em 1907, em resposta a crescente agitação social (revoltas, greves, organizações autônomas dos trabalhadores) e a também crescente presença anarquista, o Estado brasileiro endurece as políticas de expulsão contra os indesejáveis. Costurando uma nova fantasia jurídica para seus bailes repressivos, a lei Adolpho Gordo.

Quando os governantes, juízes e policiais afirmam, desde 1800 até agora, que os anarquistas somos plantas exóticas, propiciam sentimentos de xenofobia, e também constroem a imagem de uma suposta “passividade” nativa.

As políticas de expulsão e escrache contra aqueles que trazem a “teoria do caos”3 era e continua sendo um mecanismo de dispersão de encontros combativos. Segundo estas, a agitação anárquica seria exótica e poderia ser arrancada jogando os inços fora do Jardim.

Uma coisa é certa, os e as anarquistas chegaram de barco e continuam chegando por várias trilhas, no entanto, o impulso anárquico e o combate a dominação4 estão nestas terras desde tempos imemoráveis. O desejo de liberdade não tem época, pátria nem fronteiras e, anárquicos como somos, não reconhecemos a repartição do mundo em países, em Estados. A debilidade que teríamos ao pensar o mundo dividido em linhas artificiais nos deixaria doentes, sem a capacidade de reconhecer a terra com seus limites próprios e mutáveis, montanhas, rios, florestas, quebradas.

Assim, também, não reconhecemos que nossos companheiros sejam pertencentes a um ou outro pais, nós somos anarquistas e companheiros pela afinidade que temos em oposição ao controle e dominação. Não temos pátrias nem bandeiras e estamos longe de nos deixar nortear por sentimentos nacionalistas que só paqueram com o fascismo. O mundo é nosso porque com ele somos, e pela terra que habitamos sentimos nojo do progresso.

Além do mais, as ações recolhidas nas Cronologias da Confrontação Anárquica5 estão muito longe de serem alienígenas ou desorientadas dentro do contexto atual do território controlado pelo Estado brasileiro, como podemos constatar.

Os partidos políticos PSDB, PSB, PSD, DEM receberam visitas anárquicas6. O agronegócio, devastador da terra e dos povos, foi atacado com incêndio ao Banco Bradesco, a destruição de mudas de eucalipto e também barricadas incendiarias e bloqueios de estradas em território em luta com a civilização.

Também a militarização da vida foi nitidamente rechaçada com o ataque da Galera do Pixo do Triangulo CAV do Terror ao monumento da louvação da guerra nos arcos da Redenção, com a parcial destruição pelo Grupo de Hostilidades Contra Dominação do monumento do Batalhão de Suez/ONU avôs dos que hoje militarizam o Haiti, e com o ataque dos Vândalos Selvagens Antiautoritários que contribuiu para a retirada do tanque de guerra exposto como monumento na avenida Ipiranga.

Várias dessas ações foram, intuímos, incompreensíveis para a lógica da competição pelo poder. Eram ações que nada pediam nem demandavam. Só agrediam à dominação. Até que apareceu a chave que desfez o mistério (segundo o telejornal Fantástico), as Cronologias da Confrontação Anárquica e a publicação Benvindos ao Inferno.

Maldita literatura anarquista!

Os livros que estão na mira da polícia, além de difundir uma idéia, falam de ações reais. Eles coletam e apresentam várias peripécias e ousadias de alguns indomáveis. Vários bandos que bateram contra o que sentiam que oprime. Livros que um amante do controle e da submissão jamais gostaria de ver difundidos. É por isso que estes livros são livros abomináveis para as autoridades, mas também por isso, são livros de alta consistência insubmissa.

Na caminhada anárquica, vários exemplos deste tipo de perseguição literária dentro das democracias vem nos ensinando que escrever sobre a confrontação é tomado como uma afronta pelo poder. A publicação O Prazer Armado, escrito por Alfredo Maria Bonanno, provocou sua detenção na Itália e anos depois sua edição e impressão foi uma das “provas” de acusação contra o companheiro anarquista Spyros Mandylas e a Okupa Nadir na Grécia. No mesmo continente, na Espanha, o livro Contra a democracia foi usado como prova de uma suposta participação em uma organização catalogada como terrorista pelo Estado espanhol, que teve como resultado várias invasões, detenções e operações contra os compas, as quais nos permitiram solidarizar com elas, nos aproximar e nos fortalecer na procura de liberdade e na certeza de que estamos em planos antagónicos de vida, os que amamos a liberdade e aqueles que são capazes de encerrar, isolar, controlar horas de sol e formas de contato.

Ontem como hoje a busca por anarquia impressa em palavras sobre o papel tem sua potência de difusão e inspiração. Pânico para as autoridades de plantão que reagem com agressões assaltos e seqüestros.

Em 1969, no Rio de Janeiro, os militares destruíram e assaltaram o espaço de agitação dos anarquistas, o CEPJO (Centro de Estudos Professor José Oiticica), roubando ainda uma vasta biblioteca na residência do anarquista Ideal Perez. Além de roubarem os escritos originais do livro Nacionalismo e Cultura que estava por editar o anarquista Edgar Rodrigues, o qual para reavê-lo o comprou de volta dos repressores.

Em 1973 em Porto Alegre o DOPS (Departamento de Ordem Político e Social) chefiado pelo delegado Pedro Seelig invadiu a Gráfica Trevo, uma gráfica conduzida por anarquistas que, para além de impressões comerciais, imprimiam os jornais anarquistas que circulavam na época: O Protesto, vendido nas bancas de revistas de Porto Alegre e o jornal Dealbar, editado pelo anarquista Pedro Catalo, difundido em São Paulo. Também imprimiam livros editados por sua editora Proa. Nesta ocasião do assalto policial foram destruídos praticamente toda a impressão do livro O futuro pertence ao socialismo libertário e confiscado originais de futuras edições. Nesta tempestade casas particulares foram destroçadas e vidas foram sadicamente agredidas.

Malditos são nossos livros, jornais, escritos. Malditos somos os que tem a coragem e ousadia de escrevê-los, editá-los, traduzi-los, imprimi-los, difundi-los.

O Estado, a polícia, a democracia …

Não precisa de provas para perseguir anarquistas.

É sabido que nas perseguições a anarquistas não se precisam provas. Os livros foram o único fio que puderam segurar para apontarem a alguns que desde a agitação e propaganda incomodaram.

Sem provas mas não sem justificação, a reação do poder tem sua justificação sim. E essa justificação paradoxalmente é nosso maior sorriso. Saber que alguns bandos anárquicos bateram no poder só pode valorizar nossa posição já que manifesta antagonismo. Se nós nos chamamos anarquistas é porque não admitimos autoridade em nossas vidas nem na terra, assim o antagonismo à ordem imperante é um indicador básico de estar seguindo a trilha que dizemos seguir.

A Operação Érebo “procura dar com os autores dos ataques”, ou seja persegue ações mas parece ir atrás de ideias. Farejando literatura ácrata e pegando amostras das tendências, diversas, da anarquia. Confundindo a propaganda escrita com a propaganda pelo fato.

A propaganda escrita põe em evidencia algo que pareceria que queriam manter em segredo: que o poder pode apanhar dos anarquistas.

Temos claro que se se persegue as posições antiautoritárias é porque não se queimaram bancos, viatura e igrejas por piromania mas pela rejeição ativa e combativa à mercantilização da vida à punição e ao controle. E quando falamos disso não é em tom de denuncia mas como grito de alegria. É ai onde as ideias e afinidades “pesam”. Somos vários, todos, alvos na mira repressiva. Então na tormenta, no olho do furacão, ou flertamos com a passividade sistêmica nos maquiando de leis e direitos ou saímos mais fortes gritando que viva a anarquia contra toda forma de poder.

Luz câmera e ação. O show midiático.

A televisão tem uma força avassaladora no Brasil. É uma referência na vida das pessoas para entender seu entorno, criar prioridades, ter uma posição. Não é um exagero afirmar que a TV adestra as pessoas, manipula vidas, abertamente realiza experiências no comportamento das pessoas a partir dos estímulos que emitem suas ondas, em suas notícias propagandas e novelas.

Quando falamos da TV alinhamos junto seus jornais impressos, faces de um mesmo corpo, como: Zero Hora-RBS.TV/Globo7. Estes junto ao Correio do Povo e SBT8 protagonizaram associados licitamente à polícia a vingança do poder contra os anarquistas.

Se a TV é o controle à distância para os cidadãos saberem quem são os “novos inimigos da paz social”. Para os inimigos, ou seja para nós anarquistas, o show pretende ser o ventilador que espalha o medo. Cenas criadas toscamente como o encapuzado lendo a Cronologia ou os molotovs de garrafa pet e a polícia quebrando portas ao grito de “policia!”, querem mandar o recado da perseguição, querem provocar o medo em nosso bando e ainda em uma investigação que diz ser de sigilo, escracham e deixam em evidencia os “suspeitos”.

Trata-se de um linchamento midiático e certamente para quem não procura diálogo com a ordem social isso tem um peso. Abundam os comentários que se somando ao linchamento pedem fotos dos suspeitos ou reclamam por desvincular suas vidas de algo que uma vez retratado como o “mal” tem que ser banido e afastado para não poluir sua impecável vida cidadã.

Analistas políticos e juristas deram o toque ilustrado para espalhar o medo com “fundamentos”. Os anarquistas podem ou não serem julgados pela lei antiterrorista? Foi o debate apresentado por eles no show. Para além das uteis aulas que deram sobre o tema no Fantástico, mostraram que junto das forças repressivas os sábios da sociedade também colaboram com a criação do novo medo social. Não se trata mais de uma nota policial, agora é um tema social, jurídico, político, filosófico.

Os alcances desta confabulação podem ser maiores, o medo pode calar todo tipo de dissidência. Assim, o show serve para acalmar possíveis protestos e inconformismos com a genocida forma de governar da democracia.

Sabemos que os anarquistas e os povos fora da civilização e marginais tem um antagonismo que ficara depois do show. Mas, as outras dissidências se apressaram em se branquear como obedientes cidadãos? O medo penetrara até os ossos dos que se chamam rebeldes?

Entre nós não. Este texto assim como outras manifestações parecem afirmar o rechaço contra a dominação e não se deixar abater pelo medo.

O show vende e compra. Comprou a premissa no leilão policial da Operação Érebo. E vende. Sabemos que as notícias não são a toa, são jogadas pensadas no tabuleiro da dominação, visando fins específicos. É claro, eles nos dirão serem imparciais, portadores da justa visão dos fatos, da verdade.

Não existe mídia da livre expressão. A associação entre a mídia, polícia e justiça são profundas para punir todos que não dançam sua música.

Anarquistas.

Novembro de 2017.

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Nosso salve pra aqueles que não deixarm passar o vento sem o sopro da solidariedade:

A aqueles seres que fizeram uma manifestacao solidaria na grande ilha do Pacifico

Aos compas que mandaram solidariedade desde o outro lado da cordilheira dos Andes.

A compa que mando a poesia para os perseguidos desde a rebeliao das palavras

A todos que não se manteram quietos.

Todas essas ações se fizeram sentir.

1 Distanciamo-nos da ideia de que o poder é bom ou ruim dependendo de quem o exerce. Brindamos com Bakunin “Todo poder corrompe”.

2 Usamos a palavra antagonismo para expressar a incompatibilidade da anarquia com o poder e a dominação.

3 Palavras do delegado Jardim no jornal do almoço na manha do dia 25 de outubro de 2017, tentando definir os/as anarquistas investigados.

4 Tomamos a referência da posição contra a dominação de alguns dos comunicados que reivindicam os ataques que detonaram a Operação Érebo. O combate á dominação, segundo estas ações, não se trata de um antagonismo que priorize uma linha (classe, raça, gênero, defesa da terra), mas de um antagonismo em conflito com isso tudo e ainda mais, contra as sutis e complexas formas de controle e domínio.

5 As Cronologias da Confrontação Anárquica, são dois dos três livros que estão no foco da Operação Érebo.

6 Segundo as Cronologias da Confrontação Anárquica ações de ataque reivindicadas quanto não reivindicadas (conhecidas só pelas notícias) apresentam o princípio anárquico se agem em antagonismo com as instituições do controle e da dominação. Os partidos, neste caso, são os principais contendentes na procura de governar, controlar e mandar na população e no território.

7 A empresa Zero Hora-RBS.TV/Globo no processo instaurado contra o Bloco de Lutas nas agitações de 2013 dispôs até de repórter como testemunha de acusação.

8 Na manhã do dia 25/10/2017 somando-se ao show televisivo o repórter Thiago Zahreddine, da empresa SBT, apresentou a mistura aberrante dos anarquistas investigados como neonazistas, em suas palavras: “Se definem como vândalos de ideologia neonazista afim de enfrentar todo tipo de autoridade”. Tendo em conta a receptividade das pessoas ao que lhes diz a TV, essa aberração vai para além da estupidez do repórter.

Valparaiso: Pedem vinte anos para xs processadxs por distúrbios no 21 de maio de 2016 que terminaram com um guarda sufocado

via PUBLICACION REFRACTARIO

“Solidariedade anticarcerária com xs detidxs acusadxs de incendio no dia 21 de maio em Valparaíso/ A mídia aponta e a polícia dispara. A derrubar as fantasias da promotoria. Liberdade axs detidxs!”

Finalmente, a acusação decidiu fechar a investigação contra xs 6 processadxs pelo ataque incendiário a uma farmácia, que se espalhou por todo o prédio durante os distúrbios de 21 de maio de 2016, onde morreu asfixiado um guarda municipal.

O poder solicita as seguintes penalidades contra xs companheirxs:

Miguel Ángel Varela: acusado por incendio seguido de morte. A acusação pede 20 anos de prisão.

Felipe Ríos: acusado de incendio seguido de morte. A acusação pede 20 anos de prisão.

Constanza Gutiérrez: acusada como co-autora por fornecer os meios para o crime principal se materializar. A acusação solicita 15 anos de prisão.

Hugo Barraza: acusado como co-autoria por fornecer os meios para o crime principal se materializar. A acusação solicita 15 anos de prisão.

Nicolás Bayer: acusado como co-autor por fornecer os meios para o crime principal se materializar. A acusação solicita 15 anos de prisão.

Rodrigo Araya: acusado como co-autor por fornecer os meios para que o crime principal se materializar. A acusação solicita 15 anos de prisão.

Lembre-se de que todxs estão na rua, depois de enfraquecer fortemente as evidências na audiência de formalização. É de se esperar que logo se realize a preparação do julgamento oral e, finalmente, o julgamento.

Solidariedade com xs processadxs: A defender e agitar a luta rueira!

 

 

Chile – Jornada Anti-Carcerária em Solidariedade com Nataly, Juan e Enrique

via TURBA NEGRA

Difundo a partir da publicação da Coordinadora Anticarcelaria La Fuga e mando forças axs compas que estão levantando essa movida em solidariedade axs compas presxs: Juan, Nataly e Enrique.

O julgamento contra xs companheirxs foi iniciado em 24 de março desse ano, e após um longo julgamento, as condenações e acusações da acusação são as seguintes:

Enrique Guzmán: acusado da confecção do dispositivo explosivo utilizado no 1º Delegacia do centro de Santiago. Formalizado pela lei antiterrorista, a acusação pede 10 anos de prisão.

Nataly Casanova: acusada da confecção do dispositivo explosivo utilizado no 1º Delegacia do centro de Santiago, da colocação do dispositivo explosivo no metrô, posse de material para fabricação de material explosivo. Formalizada pela lei antiterrorista, a promotoria pede 20 anos de prisão.

Juan Flores: acusado da colocação do dispositivo explosivo utilizado no 1º Delegacia do centro de Santiago, da colocação do dispositivo explosivo no metrô, da colocação do dispositivo explosivo no subcentro. Formalizado pela lei antiterrorista, a promotoria solicita uma sentença perpétua contra ele.

Abaixo o estado policial e suas montagens no Caso Bombas 2.
Liberdade à Nataly, Juan, Enrique e todxs xs presxs em luta!

Domingo 19 de novembro
do lado de fora da prisão de San Miguel

A partir das 11hs

*Assessoria legal e penitenciária para familiares e próximxs de pessoas encarceiradas.
*Conversa com compas de 81 Razones x Luchar, Observatorio Social Penitenciario, coordenador do DDHH Mauricio Hernandez e outrxs compas.
*Música, olla común e atividades para crianças

Cagliari, Itália – Anarquista Paolo preso por roubo

via Nobordersard

Tradução TURBA NEGRA

Cagliari, Itália – Anarquista Paolo preso por roubo

Na terça-feira, 31 de outubro, nosso companheiro Paolo foi preso junto com dois companheiros, logo após o assalto ao escritório dos correios no subúrbio de Cagliari. Depois de deixarem o escritório de correios, eles tentaram fugir, mas a infâmia de uma testemunha forneceu informações muito precisas aos policiais, que, portanto, conseguiram organizar um cerco e interceptá-los enquanto eles estavam fugindo.

Eles não ofereceram resistência. As roupas e as armas usadas no assalto foram encontradas no carro.

Toda a nossa proximidade e solidariedade para eles. Nós não sabemos por que eles fizeram essa escolha, e nós não nos importamos. Sabemos que quem organiza para privar o Estado e os patrões do que eles precisam, faz o certo, sempre.

Mas, estamos enojadxs por aquelas pessoas que, por um “senso de dever cívico” (expressão usada pelo chefe da polícia de Cagliari), criticam aquelxs que se organizam e agem para ter o que precisam, tirando o que por natureza é o pior explorador no mundo, o Estado.

Do lado daqueles que não abaixam a cabeça.

O final do julgamento sobre o subcentro se aproxima

via PUBLICACION REFRACTARIO

Durante a última quinzena de novembro, espera-se que o macroprocesso iniciado sob a lei antiterrorista pelos ataques contra o subcentro, o metrô “los dominicos” e duas estações de polícia em Santiago chegue ao fim.

O chamado “Caso Bombs 2”, iniciado há mais de dois anos contra xs companheirxs Enrique Guzman, Nataly Casanova e Juan Flores, tem aproximadamente 7 meses de julgamento sob a lei antiterrorista, são finalmente por esses dias que o processo está se concluindo. Após os argumentos de encerramento, é de se esperar o veredicto que  o tribunal oral penal* decidirá inocência ou culpa e por qual crime, para então – no caso de ser condenadxs culpadxs – ditar a sentença.

É necessário lembrar que, após esta instância, tanto a defesa quanto a promotoria podem recorrer da decisão, porque, se este é um giro da engrenagem judicial contra xs companheirxs, não é o último.

Lembre-se das acusações e penalidades que o poder solicita contra Enrique, Nataly e Juan:

  • Enrique Guzmán: acusado pela confecção do artefato explosivo usado no 1º Posto Policial de Santiago Centro. Enquadrado pela lei antiterrorista, a promotoria solicita 10 anos de prisão.
  • Nataly Casanova: acusada pela confecção do dispositivo explosivo utilizado no 1º Posto Policial de Santiago Centro, da colocação do dispositivo explosivo no vagão de metrô da estação “los dominicos”, posse de material para fabricação de material explosivo. Enquadrada pela lei antiterrorista, a promotoria pede 20 anos de prisão.
  • Juan Flores: acusado pela colocação do dispositivo explosivo utilizado no 1º Posto Policial de Santiago Centro, da colocação do dispositivo explosivo no vagão de metrô da estação “los dominicos”, da colocação do dispositivo explosivo no subcentro. Enquadrado pela lei antiterrorista, a promotoria solicita uma sentença perpétua contra ele.

Solidariedade combativa frente à inquisição democrática!

*“tribunal penal oral” é um tribunal ordinário de única instância.

Itália: Atualizações da “Operação Scripta Manent” (16/11/17)

via CROCE NERA ANARCHICA

O julgamento começara dia 16 de Novembro na corte de segurança máxima da prisão de Turim.

Xs companheirxs anarquistas Alfredo Cospito, Anna Beniamino, Danilo Cremonese, Nicola Gai não serão permitidxs de comparecer ao julgamento na sala do tribunal, elxs serão sujeitxs a uma video-conferência dentro das alas do presídio de máxima vigilância 2, onde estão sendo mantidxs.

Xs companheirxs anarquistas Marco Bisesti, Valentina Speziale, Alessandro Mercogliano serão permitidxs de comparecer ao tribunal, mas elxs recusam participar do julgamento em solidariedade com xs companheirxs sujeitxs à video-conferência

CNA

[$antiago, Chile] Resumo da atividade “Solidariedade à flor da Pele”

via CONTRAINFO

tradução TORMENTASDEFOGO

VII Convenção de tatuagens e arte corporal SOLIDARIEDADE À FLOR DA PELE

Sob um belo céu nublado, nos reunimos para dar vida à VII Convenção de Tatuagens e arte corporal Solidariedade à Flor da Pele, buscando contribuir economicamente com nossos camaradas na prisão, bem como abrir um ponto de encontro anti-carcerário.

Desde o início, recebemos rondas policiais, hostilizando tatuadorxs, compas e até vizinhxs, mas sem conseguir impedir o desenvolvimento da atividade. Com a habilidade e a vontade das mãos solidárias, fomos nos esquivando dos diferentes obstáculos que se geraram no início, demonstrando assim que sempre se pode, quando a convicção anárquica nos guia.

Agradecemos a presença e compromisso de cada tatuadorx, dxs companheirxs responsáveis pelas suspensões, piercing e quem nos acompanhou com danças, pinturas e oficinas, que com a melhor disposição contribuirm para o desenvolvimento e difusão da atividade. A quem não pode chegar junto, esperamos contar com vocês para a próxima convenção…

As palavras de alguns de nossxs companheirxs na prisão foram lidas, assim, vazando idéias/sentimentos para longe dos corredores da prisão, ajudando a diluir dentro/fora. Durante o dia foi informado e atualizado sobre os diferentes processos de repressão e combate na Wallmapu, procurando alimentar as diferentes vontades em conflito.

Flor de Piel é marcada pela presença daqueles que, apesar de não estar mais fisicamente conosco, vivem na memória dos corações negros, então Barry Horne, Sebastián Oversluij, Mauricio Morales nos acompanhou o tempo todo. Os caminhos da luta sempre se cruzam, mas há circunstâncias em que não podem se encontrar … este dia é dedicado à memória de Santiago Maldonado.

Porque uma jaula é sempre uma jaula…
Até destruir o último bastião da sociedade carcerária.

Solidariedade à Flor da Pele.
Solidarixs afines pela Anarquia/Coletivo Sacco e Vanzetti.

***

PALAVRAS DE COMPANHEIRXS ENCARCERADXS

JOAQUÍN GARCÍA*

Acabei de aprender sobre esta iniciativa de solidariedade. Agradeço muito todas as expressões de carinho que me acompanham neste momento. Cada gesto, cada palavra tem significados muito maiores no confinamento da prisão, romper com a rotina aqui se torna o mais importante. Espero que tudo seja realizado do modo mais agradável possível e que a solidariedade seja vivida à flor da pele.

Eu envio muitos abraços, saudações e carinho.

Joaquín García
Seção de Segurança Máxima/Presídio de segurança máxima.
4 de novembro de 2017.

*Companheiro preso em 19 de novembro de 2015 e responsabilizado pelo ataque explosivo contra a 12a estação de polícia de San Miguel, em uma mudança de medida preventiva assume a clandestinidade e é preso em setembro de 2016 com um revólver e munição. Ele está atualmente em prisão preventiva.

ENRIQUE GUZMÁN, NATALY CASANOVA Y JUAN FLORES*

Essas palavras nascem e voam desde as célas da prisão de San Miguel, a unidade especial de alta segurança e a antiga penitenciária, para cumprimentar essa instância cúmplice dedicada a nós pelxs compas que organizam e dão vida à Convenção de Tatuagens e Arte Corporal Solidaridade à Flor da Pele…

Nessas palavras nascentes dentro desses centros de tortura, gostaríamos de cumprimentar de forma fraterna e cúmplice aquelxs que, no ponto de criatividade rebelde e subordinada, organizam e participam dessa iniciativa anti-carcerária,.. Iniciativa de solidariedade com aquelxs que sentem o sabor amargo da prisão cotidianamente, raiva, a impotência e a indignação de não poderem materializar a guerra porque estão cercados por barras, câmeras e guardas…

Nesse sentido, compartilhamos a mesma raiva, impotência e indignação, contra os bastardos que compõem e perpetuam essa sociedade, que aprisiona nossas vidas e a de nossos irmãos… é por isso que nosso respeito e carinho a essas mentes conscientes que não dão espaço à imobilidade e a indiferença…

Há aproximadamente 7 meses e meio atrás, nos encontramos à mercê da polícia da prisão, exames e transferências para os tribunais do estado chileno, que julgam nossa necessidade de enfrentar ao Domínio, o julgamento que discute nosso suposto envolvimento em bombas detonadas contra a estação de metro “Los Dominicos”, contra a 39 e a primeira delegacia de polícia em Santiago e contra o subcentro da escola militar (fatos reivindicados pelxs compas da conspiração das células de fogo e a conspiração internacional de vingança) está em fase final, após o arsenal legal / fiscal e a entrada de mais de 150 testemunhos, 80 peritos, 230 documentos e 640 provas de especialistas, esta segunda-feira irá discutir os dias de folga (que não podem ser mais do que 4) para preparar os argumentos de encerramento do caso.

Com um cúmplice de sinal com xs compas nas prisões de Korydallos (Grécia), com xs de Ferrara (Itália) e para a imensidão de irmãos presxs e caidxs nesta guerra, nos despedimos com o gostoso sabor do carinho solidário que você nos mostra uma vez mais!!!

Nataly Casanova (Cárcere de San Miguel)
Enrique Guzmán (Segurança Máxima/Presídio de Segurança Máxima)
Juan Flores (Antiga Penitenciaria)

MARCELO VILLARROEL*

Abraçando a todos e alguns dos gestos e atos de solidariedade com xs prisioneirxs da guerra social.

Da prisão da Alta Segurança de Santiago, uma vez mais, escapam essas letras carregadas de fraternidade insurrecta para cumprimentar e abraçar cada umx dxs companheirxs que possibilitam que esta iniciativa seja realizada em sua 7ª versão, mantendo-a viva por vários anos, com a finalidade concreta da solidariedade com quem vive na prisão como resultado irrevogável de uma luta subversiva contra o Estado, o Capital e toda autoridade.

Resgato a vontade e a insistência de gerar redes de cumplicidade que permitem quebrar no cotidiano as paredes e as jaulas que nos cercam.

Nos tempos em que os valores que têm motivado o nosso acionar de combate direto são relativizados por quem nunca arriscou nada, é altamente resgatável promover a sensação de comunidade que nos envolve, independentemente do lugar onde estamos, porque está enraizado no desejo e na vontade incontida de ser livre, muito além das dificuldades próprias de um caminho onde muitxs irmãos perderam suas vidas enquanto outrxs resistem atrás das barras.

Portanto, cada grão de areia que aponta para fortalecer a ruptura com o separatismo e a indiferença expandindo as práticas solidárias é um ataque direto à imobilidade e passividade com que o poder e seus múltiplos dispositivos de controle vão semeando fragmentação, amnésia e medo com os quais temos de conviver cotidianamente como práticas normalizadas no mundo cidadão que tanto odiamos.

Os tempos são e continuarão a ser de luta direta contra o Estado através da revolta permanente e há de ser claro: continuará havendo feridxs, perseguidxs, prisioneirxs e mortxs de pensamento e ação anti-autoritárias e não podemos imaginar transformações radicais sem a dor da perda, porque não há guerra asséptica já que o poder da dominação capitalista não perdoa nem esquece quem se rebela.

Por estes dias se cumpre 10 anos desde que assumimos a clandestinidade como uma negação da legalidade juridica-policial do Estado. Há 10 anos, começou uma caça à 4 companheirxs em que fomos acusadxs de participar numa série de expropriações bancárias e na morte de um policial uniformizado após o assalto ao Banco Security, fato ocorrido no centro de Santiago, em outubro de 2007.

O Estado com seus sicários guardiões desencadeou uma caça sem precedentes, bem como uma ofensiva sistemática em relação a vários espaços anticomunistas autônomos da época que expressavam uma posição de confrontação insurrecta.

A 10 anos do começo daquela caça, orgulhosamente pode dizer que não há arrependimento, nem esquecimento, nem abando, nem resignação do caminhar subversivo. Desde uma posição em tensão contínua, nada está acabado.

Tudo continua!!!

Encorajando o encontro de quem está trilhando o caminho da guerra social, quem alimenta a memória de combate de todxs que nῶao perdem o compasso do conflito…

Abraçando todos xs presxs dignxs e seus irmãos que se expressam no ataque direto aos símbolos do Poder.

ABAIXO AS JAULAS!!!
ATÉ DESTRUIR O ÚLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!
CAMINHANDO ORGULHOSXS PELO CAMINHO DA GUERRA SOCIAL, AVANÇAMOS JUNTXS PARA A LIBERTAÇÃO!!!
ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda
Prisioneiro Libertário.
Presídio de Segurança Máxima/Santiago, Chile.
Sábado, 4 de novembro de 2017.

“EXPERIMENTANDO A VINGATIVIDADE DO SISTEMA”

via ACT FOR FREEDOM NOW

“Carta dxs compas anarquistas Vaggelis Stathopoulos e Christoforos Kortesis”

Experimentando a vingatividade do sistema

Sete anos e meio depois da nossa prisão em abril de 2010 no caso da Luta Revolucionária, na terça-feira 24/10 seu julgamento de segundo grau terminou. E este tribunal ratificou o óbvio com a sua decisão: através dele fomos declarados oponentes do regime e tratados como tal. Quanto a nós, a nossa condenação de 6 anos de prisão — acrescida com formação de organização terrorista, uma carga-chave para acusações – é devida exclusivamente ao que declaramos desde o primeiro momento em que recusamos a acusação: nossa identidade política e ação como anarquistas, bem como a nossa atitude insubordinada em relação a todos os processos de investigação e judicial.

A vingança dos mecanismos de acusação penetra em todos os estágios da nossa acusação, que culminou em reclusão após a decisão mais recente. Para o restante da nossa sentença que ainda temos de cumprir (5 meses e 8 meses, respectivamente), o promotor de sentenças Drakos teve um cuidado especial quanto a nós, enviando-nos para as prisões de Alikarnassos e Kerkira, respectivamente, isolando-nos daqueles que estão perto de nós e nossos ambiente político.

Claro, todos nós estamos acostumadxs a ouvir histórias de repressão com os vários tipos de “Drakos”: quando, um ano após nossas prisões, o conselho de 12 meses de prisão liberou-nos devido à falta de provas, foi o procurador da Suprema Corte Ioannis Tentes que apelou esta decisão e confirmou o caráter político da nossa acusação. Quando, um mês antes da decisão do primeiro julgamento, o então o ministro da Proteção dos Cidadãos Nikos Dendias enviou um documento informal com “terroristas perigosos” para o “jornalismo independente”, que inclui os nomes de muitos outros camaradas, ele não fez mais do que confirmar o “idionymon”* moderno para aquelxs que resistem.

Mesmo até o dia da decisão de apelação, quer dizer, por 4,5 anos, nós permanecemos livres (com restrições). Nós não fomos “corrigidos” todos esses anos, também não iremos. Nós continuamos sempre com a destruição de estado e capital como nosso horizonte ao lado dxs oprimidxs e aquelxs que lutam por um mundo de igualdade, liberdade e solidariedade.

Do centro de detenção provisória na rua Petrou Ralli, algumas horas antes nossa transferência.

Vaggelis Stathopoulos, Christoforos Kortesis.

* lei “relativa a medidas de segurança para o estabelecimento social e proteção da liberdade”, introduzida pelo governo Venizelos em 1929 com o objetivo de penalizar as idéias insurrecionais e, em particular, desencadear acusações contra comunistas, anarquistas e reforçar a repressão
contra as mobilizações sindicalistas.