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[São Paulo, Bra$il] QUEM MATOU ÍNDIO? – Uma resposta ao chamado anarquista por um Dezembro Negro.

Como assim, quem o matou? Se os nomes e rostos dos assassinos já são conhecidos… A mídia carniceira não perdeu tempo em transformar rapidamente o acontecimento em espetáculo. Houve uma exposição não só de quem o agrediu até o último suspiro como da sua família, das transexuais a quem defendeu, da sua história de vida e uma série de informações, apenas para criar uma grande cortina de fumaça. Diante dessa situação vexatória, dois anos após sua morte, torna-se indispensável narrar o acontecimento desde abaixo das garras da dominação.

Numa noite natalina nada pacífica, dois neonazistas perseguiram transexuais que estavam dentro da estação Pedro II com intenção de faze-las o mesmo que fizeram com Índio. O que apenas demonstra a persistente caça contra quem liberta seus desejos e vontades e se levanta diante da normalidade imposta. No entanto, numa convicta negação da passividade, o vendedor ambulante de 54 anos decidiu firmemente defende-las. Essa atitude lhe custou a vida.

A presença dos guardas do metrô e dos cidadãos comportados não adiantou e não seria diferente. Todos os dias aquela estação está cheia de autômatos cegos pela rotina cumprindo ordens superiores. Luiz Carlos Ruas, negro, trabalhador autônomo, que mantinha seu ganha pão ao lado de fora da estação, na contramão desse marasmo habitual das cidades, no seu último dia, como provavelmente em seus tantos outros anteriores, seguiu instintivamente a busca pela liberdade.

Um ato verdadeiramente insurgente de solidariedade e ação direta, em meio a uma sociedade cada vez mais domesticada que fecha os olhos para a guerra instalada aqui e agora. Uma guerra contraditória reforçada pelos agentes que igualmente aos agressores causaram a morte de mais um negro sem nenhum questionamento dessa suspeita autoria. São estruturas todas programadas para matar e deixar morrer.

A postura da segurança do metrô não surpreende nem um pouco. São omitidos inúmeros casos dia após dia, de assédio sexual contra mulheres, de agressão contra pessoas que trabalham nos vagões do trem, espancamentos contra pessoas que não são bem-vindas nesse ambiente e meio de transporte que, apesar de poucas conseguirem pagar para usar, todas sofrem os danos da existência de tal tecnologia civilizatória que atenta contra a vida e a natureza. Nas veias da cidade corre o sangue derramado pelas autoridades e só dessa forma se mantém essa arquitetura assassina.

Portanto, ao lado de Alexis Grigoropoulos, assassinado pela polícia no gueto de Atenas em 2008, Sebastian Oversluij, assassinado pela segurança bancária após tentativa de assalto em 2013, ao lado de tantas outras pessoas que ousaram buscar a liberdade e por isso morreram sem ter seu nome lembrado, Luiz Carlos Ruas é mais um que está mais que vivo em cada ato de inconformidade e rebeldia incontida. As autoridades e a passividade mataram Índio.

A ÚNICA MORTE É O ESQUECIMENTO!

LUIZ CARLOS RUAS PRESENTE!

POR UM DEZEMBRO NEGRO!

Anarquistas

[São Paulo] “Semanas de agitação anti eleitoral”

SEMANAS DE AGITAÇÃO ANTI ELEITORAL

Dias antes das eleições se aproximarem, deu-se informalmente em São Paulo algumas iniciativas de difusão de ideias ácratas a respeito do não-voto. São três afiches espalhados pela cidade: “CUSPA AQUI”, contra o representante do fascismo Jair Bolsonaro, “NEM ESQUERDA, NEM DIREITA”1, contra as instituições e “A DEMOCRACIA É APENAS UMA CONTINUAÇÃO DA DITADURA”, contra as formas de governo vigentes. A partir deste breve relato sobre as colagens e pixações, faz-se uma exposição mais além das palavras de ordem referidas.

O segundo turno se aproxima. No entanto, não há dúvidas de que o resultado não será determinado pela votação. Isto é, o fascismo vêm se expandindo desde muito tempo2. O verdadeiro campo de batalha não está delimitado nas urnas, mas sim no campo delimitado por linhas imaginárias chamadas de fronteiras nacionais. O nacionalismo e o patriotismo sempre estiveram por aí. A bandeira do Estado de São Paulo, por exemplo, é ostentada em cada prédio público, ao lado da bandeira do Brasil, enquanto algumas datas marcadas no calendário rememoram episódios fundamentais para a ploriferação do autoritarismo.

A construção dessa fantasia não deveria incomodar igual? Existe liberdade dentro de um território controlado por um Estado? Não se trata exatamente do genocídio de pessoas marginalizadas e da produção de dissidências, a edificação das instituições?

A narrativa dos governos quaisquer que sejam sempre aponta um inimigo interno. Está pressuposto. Não haveria sequer possibilidade de nomear diretores para os presídios se não houvesse gente para ser presa4. É disso que se trata tanto a democracia quanto a ditadura: uma necessidade constante de eliminar a vida. Desde que nascemos, uma realidade nos é imposta e devemos aceitá-la ou senão enfrentar as consequências mais cruéis para xs que recusamos ou subvertemos as regras do jogo5.

A ditadura militar transformou-se numa democracia ao final dos anos oitenta, sem deixar de lado a guerra contínua instalada nos cantos deste território específico. Ao contrário, este conflito se revigora a cada ciclo desde a colonização6. Isso se dá fundamentalmente através da generalização do medo. Não é muito curioso que a mídia corporativa estampe as manchetes das agressões7 antes ignoradas e, consequentemente, normalizadas, inclusive, pela própria população e demais que se calavam diante dos fatos? Qual a finalidade disto, senão espalhar medo entre as pessoas para enfim mante-las disciplinadas nos seus empregos, escolas etc?

Para quê outra coisa servem os regimes desde aquele período, senão para controlar de maneira violenta – e nunca suficiente, pois a repressão é a resposta principal de qualquer governo, invariavelmente, para aquilo que lhe é estranho – todos esses conflitos pela vida livre? Mais uma vez se apresenta, em forma de “crise”, uma fase para renovar as formas de poder, na medida em que o atrito sempre presente das difusas resistências deteriora a dominação. Porém…

A GUERRA PELA LIBERDADE NÃO CESSARÁ!

NEM DITADURA, NEM DEMOCRACIA!

NEM ESQUERDA, NEM DIREITA!

PELO CAOS E ANARQUIA!

Anarquistas.

Notas:

1 Este é um afiche replicado aqui em São Paulo. Originalmente, o mesmo apareceu pela primeira vez nas ruas de Porto Alegre. Um salve para xs cumplices da luta informal!

2 Em 2011 antifascistas e anarquistas ocupamos o vão do MASP para barrar uma primeira manifestação de apoio a Jair Bolsonaro animada por nazistas da região de São Paulo. Na época, muitas pessoas se isentaram de tomar sua posição porque julgavam ser “apenas um confronto entre subculturas”: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2011/04/06/neonazistas-ajudam-a-convocar-ato-civico-pro-bolsonaro-em-sao-paulo.html

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/11/01/porto-alegre-rs-quando-a-anarquia-incomoda-comunicado-da-biblioteca-kaos-diante-da-perseguicao-contra-anarquistas/ 

Por exemplo, a agressão contra uma mulher que teve uma suástica marcada na pele. Nesse caso, replicamos a notícia apenas para dar luz a um detalhe talvez pouco percebido: o mesmo delegado que afirmou ser “um símbolo budista” é o VERME Paulo Jardim responsável pela “Operação Érebo” que perseguiu anarquistas!

Panfleto + atividade antifascistas em Porto Alegre

Os textos a seguir remetem ao ato antifascista na cidade de porto alegre (11/10). Um salve para todxs compas ao sul que continuam firmes na agitação contra toda autoridade!

via e-mail:

Breve relato do ato:

No Ato Antifascista, do dia 11 de outubro, em Porto Alegre, muitas vontades e formas de luta se juntaram para mostrar que, a pesar das vergonhosas porcentagens de eleitores que optaram pelo fascismo, existem pessoas que pelos menos sairão nas ruas para mostrar um rechaço ao totalitarismo. Muitas bandeiras se fizeram presentes no ato: A torcida antiracista/antifascista, feministas, antiespecistas, estudantes, anarquistas de várias propostas, bandeiras da diversidade sexual, bandeiras contra o racismo, um bando de capoeiras quem, armados de berimbaus e uma faixa que dizia: Capoeira Angola Contra o Fascismo. Mestre Moa Presente. Vidas Negras Importam, deram resposta de força diante do assassinato bolsonarista do Mestre Moa, na Bahia. Outra faixa lembrava aquela frase muito oportuna de Marighela: Não Temos Tempo Para Ter Medo, como conjurando o afastamento desse sentimento nestes tempos difíceis. Marielle Presente! gritava mais uma faixa, repudiando o assassinato para-estatal acontecido no Rio de Janeiro. Assim, foram várias as expressões que criaram uma turbulência de coletividades e individualidades no rechaço à figura do fascismo atual, Jair Bolsonaro. A caminhada fluiu sem demoras. Claramente ecoava com mais força “ele não” e frases de rechaço ao fascismo. Mas, nos gritos, também podia se aperceber a intenção de alguns partidos, de esquerda, por se apropriar do ato fazendo campanha, seu empenho para se aproveitar de toda luta não tem limites. Foram eles, os da esquerda partidarista, quem propuseram terminar o ato no Largo do Zumbi, após menos duma hora de caminhada. Felizmente, nesse momento, algumas pessoas mais se juntaram e chamaram para que o ato continua-se, e continuou. Há tempo não se veia um tumulto assim na cidade, um tumulto sob a consigna de oposição ao autoritarismo. É Importante ressaltar que estas primeiras saídas nas ruas, são sinais significativas, tanto para nós que odiamos todo tipo de autoridade, quanto para os inimigos, de que haverão respostas diante do ressurgimento do autoritarismo, esta vez democraticamente eleito.

PANFLETO DIFUNDIDO DURANTE O ATO:

NÃO ELEJA UM FASCISTA! SÓ A LUTA MUDA A VIDA!!!

Calar hoje é ser cúmplice. Nunca, estaremos a serviço dos tiranos, nem seremos os tiranos de ninguém. Se hoje saímos, nas ruas, é para nos revoltar contra a ascensão da visão de mundo que louva o fascismo e o autoritarismo. O sentimento de desilusão com a democracia que tem se consolidado através da mídia e da ausência de propostas libertárias e críticas radicais, vem fortalecendo uma onda reacionária muito perigosa, cuja personificação está na figura de Jair Bolsonaro. O candidato, autor de diversas frases racistas, homofóbicas e machistas, não esconde sua intolerância tão bem quanto esconde as quantias vergonhosas recebidas em propina por seu partido (PSL) e seus 2,6 milhões em bens da Justiça Eleitoral. Anticorrupção? Nos conte outra.

A principal bandeira de sua campanha, o porte de armas, explicita seu comprometimento com os interesses dos ricos, que controlam a segurança privada e contam com as polícias para os proteger, enquanto os mais pobres atiram uns nos outros e são exterminados nas periferias pela policia e o exército. Bolsonaro não tem proposta de cultura e ensino públicos -o que sabidamente reduz as estatísticas criminosas- e ainda se posiciona contrário aos investimentos em saúde e educação, tendo votado a favor da Emenda Constitucional 95 que congela os gastos públicos nesses setores por 20 anos.

Não existe ameaça comunista no Brasil, mas uma ameaça às nossas vidas por parte do escravismo moderno o qual representa Bolsonaro. ELE É INIMIGO DE TUDO O QUE EXISTE! sua proposta de governo é um genocídio devagar: Acabar com o 13º salário, licença maternidade e creches comunitárias, além de aumentar os impostos que pagam os trabalhadores, a defesa aberta do ódio racial e a entrega da Amazônia para ser explorada. Só se engana quem quer: O MITO É UMA MENTIRA.

Somos todos nós, os que já lutamos contra um sistema que tem nos declarado a guerra há séculos, quem vai pagar essa conta. Sendo confrontados pelos fascistas de sempre, que agora sentem a proteção estatal para poder agredir todo aquele que não pensa como eles.

Por cada morto pelo fascismo, por cada agressão contra a vida livre, precisamos reagir e combater a ascensão do fascismo imposto pela absurda democracia que nunca melhorou nada para a grande maioria.

Sair para combater o fascismo, não se trata de se unir a todo mundo acriticamente, facilitando ser usados como campanha de outro partido, Não precisa eleger ninguém para mostrar o descontentamento com a política atual. A própria democracia e o voto foram os que situaram o novo fascismo onde está: pronto a governar. Trata-se, simplesmente, de compartilhar o embate ao fascismo e ao autoritarismo, de sair nas ruas para mostrar que a chibata dos fardados não nos governará, que não temos medos nem fraquezas, muito pelo contrario, QUE ESTAMOS NAS RUAS NA DEFESA DA LIBERDADE CONTRA TODA OPRESSÃO: FORTES, DECIDIDOS E
OBCECADAMENTE INGOVERNÁVEIS.

Porque o tirano, não admite nenhum suspiro de liberdade, as pessoas livres não admitimos tiranos, de cor nenhuma, nem seus defensores.

NEM FASCISMO, NEM REFORMISMO: SÓ A LUTA MUDA A VIDA!

Porto Alegre.

Outubro de luta, 2018

 

 

 

 

 

Sai o segundo número da publicação “Crônica Subversiva”

via e-mail

Depois de uma operação anti anarquista em Porto Alegre, a condenação dos
23 no Rio de Janeiro e antes da festa eleitoral daqueles que tentam
governar e devastar tudo, aparece o segundo número da Crônica
Subversiva.

Como cada publicação antiautoritaria que surge em diferentes tempos e
lugares, a Crônica Subversiva procura ser um canal de expansão de idéias
que não estão, nem estarão nunca, contidas nos meios de comunicação.
Também é uma publicação com uma visão particular da vida, da autonomia,
e da procura da anarquia e da revolta, que parte daquele instinto,
inquebrantável e sincero, de sermos indômitos. Essa a sensação que faz
as pessoas sair nas ruas, se arriscar, agir, e fazer algo na anarquia, a
que procuramos espalhar com estas letras.

Primavera 2018

clique aqui para baixar

De férias em Hamburgo: Selfies, distúrbios e a tirania das imagens

via VOZCOMOARMA

tradução TDF

nota: a tradução deste texto fundamental, embora tardia, compõe parte da nova edição de “BEM-VINDO AO INFERNO: TEXTOS SOBRE A INSURREIÇÃO CONTRA A CÚPULA DO G20”. Esta publicação completará um ano em breve. Para marcar essa data, às vésperas de mais uma cúpula, dessa vez no território dominado pelo estado argentino, haverá um lançamento dessa zine agora no formato de livro. A reedição contará com novos textos em português que serão aos poucos acrescentados no site.

Há um mês atrás, em Hamburgo, na Alemanha, a cúpula do G20 começava e, com ela, protestos massivos contra a mesma, que reivindicavam desde um capitalismo “mais humanitário” até a destruição completa deste sistema para construir um outro mundo mais ético, onde todxs nós tenhamos espaço e sejamos respeitadxs, onde não haja lugar para opressão ou hierarquia, onde se cuide da terra e se faça desaparecer dos nossos valores e metas de vida a sede inssaciável de ganhos materiais vazios na qual a sociedade está embasada.

O que sucedeu durante os 3 dias em que a cúpula e as mobilizações duraram pode ser lido em muitos sites, incluso neste mesmo blog se você se buscar as postagens correspondentes (do início de julho passado, para quem tiver curiosidade), e, dado que eu, por várias razões que não vẽm ao caso, não pude viajar para Hamburgo (e não me faltou coragem), não vou comentar sobre o que aconteceu e nem vou me concentrar nos detalhes. Sobre isso, xs kompas que estiveram por lá já falaram e seguem falando.

O que eu gostaria de falar, sim, é um aspecto particular daquelas mobilizações, que acho que ocorre com demasiada frequência neste tipo de contexto e que, pelo menos a mim, me parece um problema sério, além de algo que me irrita. É o que conhecido como “tirania da imagem”.

Em uma sociedade como a de atualmente, o espetáculo reveste tudo. Nossas vidas se convertem num fluxo compulsivo de imagens, estereótipos e mercados de identidades, para alimentar com os quais um perfil, uma projeção de nós mesmxs muitas vezes adulterada, fictícia, mas com a qual, de algum modo, nos livramos das nossas carências e dos aspectos da nossa vida real que não gostamos ou não nos sentimos satisfeitos (ao invés de tentar mudá-los, nós os escondemos com imagens), de forma semelhante ao que acontece na maioria das redes sociais. Não importa quem você é, mas quem você parece ser. As demais pessoas têm que ver numa tela uma foto que confirme tudo, se não aparecer na TV ou na Internet, não existe. Para isso, da mesma forma que os novos ricos liberais e modernos tiram fotos de seus luxos e os compartilham na Internet para que todo mundo conheça seu estilo de vida exclusivo e admire seu “sucesso”, dentro de ambientes revolucionários, anti-capitalistas, anti-autoritários… essa mesma ditadura de aparência é produzida em bases quase idênticas. No meio dos distúrbios, muitas pessoas querem sua lembrança, sua foto de recordação, como alguém que paga alguns euros a mais para a empresa de um parque de diversões tirar uma foto dessa pessoa durante sua viagem na montanha-russa mais alta e mais veloz. As imagens circulam de forma frenética nas redes sociais, nos blogs, nas grandes plataformas de vídeo e foto, para o deleite da polícia e dos serviços de informação, que, se não prenderem ninguém, então só terão que mergulhar um pouco na internet para encontrar um suculento material fotográfico para seus fichamentos, enquanto que, se caso eles infelizmente prendam alguém, [as autoridades] terão apenas que revistar o celular dessa pessoa (algo que estes agentes normalmente fazem quando você está trancado em uma cela e seu telefone e documentação estão na posse deles) para encontrar as evidências que confirmem a presença dessas pessoas nas manifestações onde ninguém, a não ser elas mesmas e xs compas, precisa saber que foram, provas que logo podem ser usados em um julgamento. Por outro lado, os meios de comunicação da imprensa comercial também tiram seu proveito de ativistas que colocaram numa bandeja as fotos perfeitas para as reportagens sensacionalistas.

Não entendo a necessidade, nem a finalidade de fotografias como essas:

O que essas pessoas querem? Guardar uma recordação para contar aos seus netos? Não quero negar a importância de documentar este tipo de evento em nível fotográfico e audiovisual, já que muitas vezes, se não fossem as pessoas aficionadas pelos registros deste tipo que coletam e registram tudo isso, seja como parte de grupos de mídia alternativa relacionada aos movimentos sociais ou por conta própria, não estaríamos inteirados de muitas das coisas que acontecem. Porém, é importante manter uma cultura de segurança e, sobretudo, levar em conta que, ao fotografar assim, não só estamos expondo a nós mesmos como também a outras pessoas em nosso meio ou a outrxs companheirxs que nestes momentos podem estar agindo, e que talvez não queiram participar de seu fetichismo irresponsável.

É importante refletir sobre isso e não cair em uma posição ambígua ou passiva de “cada qual faz o que queira”. Há companheirxs levando a sério seu anonimato, sendo perseguidxs e vigiadxs, enquanto outrxs brincam de revolução entre flashes e “selfies”.

Tudo é heroísmo e publicidade, estética, top-models da revolta, até a polícia te fichar e então será quando você desejará com toda sua força não ter publicado aquela maldita fotografia…

Por uma cultura de segurança e responsabilidade.
Contra o fetichismo da imagem e do rosto-coberto.

 

 

 

“Últimos exames e solidariedade revolucionária” Palavras de Juan Aliste Vega desde o hospital penal

via PUBLICACION REFRACTARIO

tradução tormentasdefogo

Os esforços e a insistência que temos feito dentro e fora dos limites físicos da prisão por mais de 4 meses, conseguiram que, na quinta-feira, 19 de julho, eu fosse transferido da prisão de alta segurança para o hospital penal para realizar em mim um eletrocardiograma e vários exames de rigor. Na sexta-feira, 20 de julho, de manhã, novamente eu sou transferido para o INCA, Instituto de Neurocirurgia, em meio a uma considerável operação policial/prisional para finalmente realizar uma angiografia, exame que busca capturar uma imagem mais detalhada da área do cérebro onde mantenho a malformação cerebral produzida por golpes anteriores. Vale a pena lembrar que este exame é fundamental e essencial para o processo cirúrgico iminente ao qual devo me submeter. Finalmente, o exame foi realizado sem qualquer problema, com um tratamento correto e digno pela equipe médica em questão.

Uma vez que esse procedimento foi concluído, eu fui levado de ambulância para o hospital penal, de onde serei liberado para retornar ao cárcere de segurança máxima nas próximas horas. As tecnicalidades médicas só procuram esclarecer e prestar contas da minha situação atual. Há várias etapas que devem vir a seguir, tão ou mais complexas que esta, até, finalmente, a operação cerebral qualificada como urgente desde março, apesar de todos as entraves e obstáculos que envolvem ser refém do Estado, estar sob custódia da maior polícia mais ferrenha do território que age com a lógica da vingança e da crueldade, e ademais estar submerso no repulsivo tecido burocrático.

Estas palavras, longe de qualquer vitimismo ou lástima, se encontram carregadas de vitalidade revolucionária, insurecta e subversiva. No constante exercício da solidariedade revolucionária recíproca que nós, prisioneirxs libertárixs levamos a cabo durante anos, se torna imprescindível comunicar os recentes passos dados nesta nova batalha. Não foi a primeiro e, sem dúvida, não será a última que como reféns do Estado teremos de enfrentar.

Eu gostaria de aproveitar esta comunicação para abraçar as diferentes iniciativas realizadas em Santiago, Concepción, Valdivia, Temuco e outros territórios, bem como os gestos internacionalistas que sabem atravessar fronteiras na Argentina, Uruguai, Brasil e Espanha… Gestos e atividades onde praticamos uma solidariedade que constrói e reforça nossas redes subversivas, que finalmente é o mais vital dos oxigênios para percorrer caminhos rumo à libertação total desde o confinamento.

Aqui permanecemos firmes, inabaláveis e orgulhosos de ter essa linda cumplicidade rebelde que atravessa territórios, se expande, se multiplica e nos permite enfrentar tudo o que vem.

Enquanto existir miséria, haverá rebelião!

Juan Aliste Vega

Prisioneiro Subversivo

Hospital Penitenciario

Julho 2018.

CHAMADO PARA UMA FEIRA DE MATERIAIS INDEPENDENTES – ATIVIDADE DA SEXTA SEMANA INTERNACIONAL PELXS ANARQUISTAS PRESXS

via e-mail [tormentasdefogo@riseup.net]

Em resposta ao chamado da “sexta semana internacional em solidariedade pelxs anarquistas presxs”, que acontecerá do dia 23 ao 30 de agosto, haverá uma primeira feira de inverno de materiais independentes no dia 25 deste mês.

Este é um chamado aberto para quem quiser nos enviar propostas com o foco anti autoritário para somar na atividade. Além disso, é principalmente um convite para participar dessa iniciativa no espaço Tia Estela, situado de baixo do “viaduto alcântara machado” em São Paulo. Toda contribuição para autogestão do espaço é bem-vinda.

A luta pela liberdade não acontece sem a luta contra as prisões. Estes espaços repugnantes estão cercados por muralhas, formas violentas de controle, dispositivos de segurança e vigilância constante. Sem uma estrutura como estas seria impossível de algum Estado ou qualquer governo manter-se no poder. É necessário enxergar as cadeias não só como a principal ferramenta da dominação contra as pessoas subversivas que preferem a guerra à passividade das massas, mas também como laboratório do sistema e um dos principais meios para perpetuar a escravidão e o trabalho.

Uma batalha foi perdida porém mesmo atrás das grades a luta continua. Dentro das cadeias está, de maneira contida e continuada, os conflitos contra os aparatos jurídicos dos estados nação e toda sociedade moralista que lhe dá suporte. Essa realidade prolonga a caminhada pela destruição da civilização, das máquinas predatórias do mundo cibernético e industrial, de todas as grades, muros e fronteiras que massacram a vida na terra.

Por essas e muito mais coisas, é necessário apoiar xs anarquistas presxs, não deixa-los sós e, com isso, voltar nosso olhar para as pedras pilares que dão corpo ao inimigo.

“Viver a anarquia comporta o risco de acabar no cárcere” – Marco, cárcere de Alexandria.

O cronograma completo estará disponível no dia 23 de Agosto.

Inverno Anárquico

invernoanarquico@riseup.net

[Bra$il] Roda de conversa em solidariedade com Marcelo Villarroel Sepúlveda

via e-mail [tormentasdefogo@riseup.net]

“Na próxima segunda-feira, no dia 23 de Agosto, acontecerá um encontro em solidariedade ao preso libertário Marcelo Villarroel Sepúlveda, que encontra-se encarcerado no presídio de segurança máxima de Santiago, território controlado pelo estado chileno, juntamente à Juan Aliste Vega.

Durante o encontro haverá leitura e escrita de cartas, atualizações sobre o “caso security” que se prolonga desde 2007 e uma conversa informal.

O encontro acontecerá no espaço tia estela, situado na okupa do viaduto no Brás, em São Paulo.

Para enviar qualquer mensagem, sugestões ou contribuições escreva para: atentadoautonomo@espiv.net

‘Enquanto houver miséria haverá rebelião’ “

“ATÉ TODXS ESTAREM LIVRES!” – 6a SEMANA INTERNACIONAL PELXS PRESXS ANARQUITAS

“ATÉ TODXS ESTAREM LIVRES” – 6a SEMANA INTERNACIONAL PELXS PRESXS ANARQUISTAS

23 – 30 DE AGOSTO

via SOLIDARITY INTERNATIONAL

tradução tormentasdefogo

Estamos retomando a semana global de solidariedade com xs anarquistas presxs. Desde o ano passado, muita coisa mudou em nossos países, mas no geral a tendência é piorar, com mais repressões aplicadas contra anarquistas, não só na Europa mas também em todo o mundo. Com isso em mente, nós convocamos a sexta semana anual de solidariedade!

No ano passado, muitas pessoas nos enviaram seus comunicados desde diferentes partes do mundo e esperamos que este ano a tradição cresça ainda mais. Precisamos apoiar nossxs compas! Use esta semana para divulgar as informações sobre xs anarquistas que estão atrás das grades. No país onde você vive não há anarquistas encarceradxs? Não se preocupe, apoie xs presxs em outros países da sua região ou use esses dias para aumentar a conscientização sobre os mecanismos de repressão e como as comunidades anarquistas podem combate-los!

Construa uma cultura de segurança, apoie xs presxs anarquistas e contra ataca!

Não hesite em continuar enviando seus comunicados para tillallarefree@riseup.net!

Ninguém é livre até todxs estarem livres!

 

ATUALIZAÇÃO SOBRE O “CASO 21 DE MAIO”

via PUBLICACION REFRACTARIO

Finalmente, no dia 7 de julho de 2018, a corte de Valparaíso proferiu um veredito contra xs 6 acusadxs pelo incêndio em 21 de maio de 2016 e a morte do guarda municipal Eduardo Lara.

Sob os crimes de porte de bomba incendiária e incêndio resultando em morte, o tribunal decidiu ditar vingança contra os 6 acusados.

Miguel e Felipe decidiram não aparecer, encontrando-se felizmente fugidos e longe das garras da polícia até agora. Ainda assim a sentença foi a seguinte:

Miguel Ángel Varela Veas: Autor do crime de incêndio que resultou em morte + porte de bomba Molotov: 12 anos de prisão (incêndio) + 3 anos de prisão (Lei de controle de armas)

elipe Ríos Henríquez: Autor do crime de incêndio que resultou em morte: 12 anos de prisão.

Constanza Gutiérrez Salinas: Coautora do crime de incêndio resultando em morte: 10 anos de prisão.

Hugo Barraza Araya: Co-autor do crime de incêndio que resultou em morte: 10 anos de prisão.

Nicolás Bayer Monnard: Co-autor do crime de incêndio que resultou em morte: 10 anos de prisão.

Rodrigo Araya Villalobos: Co-autor do crime de incêndio que resultou em morte: 10 anos de prisão.

Constanza, Hugo, Nicolas e Rodrigo permanecerão nas ruas até que a sentença seja definitiva e ratificada, após os recursos e revisão de nulidade da sentença.