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De férias em Hamburgo: Selfies, distúrbios e a tirania das imagens

via VOZCOMOARMA

tradução TDF

nota: a tradução deste texto fundamental, embora tardia, compõe parte da nova edição de “BEM-VINDO AO INFERNO: TEXTOS SOBRE A INSURREIÇÃO CONTRA A CÚPULA DO G20”. Esta publicação completará um ano em breve. Para marcar essa data, às vésperas de mais uma cúpula, dessa vez no território dominado pelo estado argentino, haverá um lançamento dessa zine agora no formato de livro. A reedição contará com novos textos em português que serão aos poucos acrescentados no site.

Há um mês atrás, em Hamburgo, na Alemanha, a cúpula do G20 começava e, com ela, protestos massivos contra a mesma, que reivindicavam desde um capitalismo “mais humanitário” até a destruição completa deste sistema para construir um outro mundo mais ético, onde todxs nós tenhamos espaço e sejamos respeitadxs, onde não haja lugar para opressão ou hierarquia, onde se cuide da terra e se faça desaparecer dos nossos valores e metas de vida a sede inssaciável de ganhos materiais vazios na qual a sociedade está embasada.

O que sucedeu durante os 3 dias em que a cúpula e as mobilizações duraram pode ser lido em muitos sites, incluso neste mesmo blog se você se buscar as postagens correspondentes (do início de julho passado, para quem tiver curiosidade), e, dado que eu, por várias razões que não vẽm ao caso, não pude viajar para Hamburgo (e não me faltou coragem), não vou comentar sobre o que aconteceu e nem vou me concentrar nos detalhes. Sobre isso, xs kompas que estiveram por lá já falaram e seguem falando.

O que eu gostaria de falar, sim, é um aspecto particular daquelas mobilizações, que acho que ocorre com demasiada frequência neste tipo de contexto e que, pelo menos a mim, me parece um problema sério, além de algo que me irrita. É o que conhecido como “tirania da imagem”.

Em uma sociedade como a de atualmente, o espetáculo reveste tudo. Nossas vidas se convertem num fluxo compulsivo de imagens, estereótipos e mercados de identidades, para alimentar com os quais um perfil, uma projeção de nós mesmxs muitas vezes adulterada, fictícia, mas com a qual, de algum modo, nos livramos das nossas carências e dos aspectos da nossa vida real que não gostamos ou não nos sentimos satisfeitos (ao invés de tentar mudá-los, nós os escondemos com imagens), de forma semelhante ao que acontece na maioria das redes sociais. Não importa quem você é, mas quem você parece ser. As demais pessoas têm que ver numa tela uma foto que confirme tudo, se não aparecer na TV ou na Internet, não existe. Para isso, da mesma forma que os novos ricos liberais e modernos tiram fotos de seus luxos e os compartilham na Internet para que todo mundo conheça seu estilo de vida exclusivo e admire seu “sucesso”, dentro de ambientes revolucionários, anti-capitalistas, anti-autoritários… essa mesma ditadura de aparência é produzida em bases quase idênticas. No meio dos distúrbios, muitas pessoas querem sua lembrança, sua foto de recordação, como alguém que paga alguns euros a mais para a empresa de um parque de diversões tirar uma foto dessa pessoa durante sua viagem na montanha-russa mais alta e mais veloz. As imagens circulam de forma frenética nas redes sociais, nos blogs, nas grandes plataformas de vídeo e foto, para o deleite da polícia e dos serviços de informação, que, se não prenderem ninguém, então só terão que mergulhar um pouco na internet para encontrar um suculento material fotográfico para seus fichamentos, enquanto que, se caso eles infelizmente prendam alguém, [as autoridades] terão apenas que revistar o celular dessa pessoa (algo que estes agentes normalmente fazem quando você está trancado em uma cela e seu telefone e documentação estão na posse deles) para encontrar as evidências que confirmem a presença dessas pessoas nas manifestações onde ninguém, a não ser elas mesmas e xs compas, precisa saber que foram, provas que logo podem ser usados em um julgamento. Por outro lado, os meios de comunicação da imprensa comercial também tiram seu proveito de ativistas que colocaram numa bandeja as fotos perfeitas para as reportagens sensacionalistas.

Não entendo a necessidade, nem a finalidade de fotografias como essas:

O que essas pessoas querem? Guardar uma recordação para contar aos seus netos? Não quero negar a importância de documentar este tipo de evento em nível fotográfico e audiovisual, já que muitas vezes, se não fossem as pessoas aficionadas pelos registros deste tipo que coletam e registram tudo isso, seja como parte de grupos de mídia alternativa relacionada aos movimentos sociais ou por conta própria, não estaríamos inteirados de muitas das coisas que acontecem. Porém, é importante manter uma cultura de segurança e, sobretudo, levar em conta que, ao fotografar assim, não só estamos expondo a nós mesmos como também a outras pessoas em nosso meio ou a outrxs companheirxs que nestes momentos podem estar agindo, e que talvez não queiram participar de seu fetichismo irresponsável.

É importante refletir sobre isso e não cair em uma posição ambígua ou passiva de “cada qual faz o que queira”. Há companheirxs levando a sério seu anonimato, sendo perseguidxs e vigiadxs, enquanto outrxs brincam de revolução entre flashes e “selfies”.

Tudo é heroísmo e publicidade, estética, top-models da revolta, até a polícia te fichar e então será quando você desejará com toda sua força não ter publicado aquela maldita fotografia…

Por uma cultura de segurança e responsabilidade.
Contra o fetichismo da imagem e do rosto-coberto.

 

 

 

“Últimos exames e solidariedade revolucionária” Palavras de Juan Aliste Vega desde o hospital penal

via PUBLICACION REFRACTARIO

tradução tormentasdefogo

Os esforços e a insistência que temos feito dentro e fora dos limites físicos da prisão por mais de 4 meses, conseguiram que, na quinta-feira, 19 de julho, eu fosse transferido da prisão de alta segurança para o hospital penal para realizar em mim um eletrocardiograma e vários exames de rigor. Na sexta-feira, 20 de julho, de manhã, novamente eu sou transferido para o INCA, Instituto de Neurocirurgia, em meio a uma considerável operação policial/prisional para finalmente realizar uma angiografia, exame que busca capturar uma imagem mais detalhada da área do cérebro onde mantenho a malformação cerebral produzida por golpes anteriores. Vale a pena lembrar que este exame é fundamental e essencial para o processo cirúrgico iminente ao qual devo me submeter. Finalmente, o exame foi realizado sem qualquer problema, com um tratamento correto e digno pela equipe médica em questão.

Uma vez que esse procedimento foi concluído, eu fui levado de ambulância para o hospital penal, de onde serei liberado para retornar ao cárcere de segurança máxima nas próximas horas. As tecnicalidades médicas só procuram esclarecer e prestar contas da minha situação atual. Há várias etapas que devem vir a seguir, tão ou mais complexas que esta, até, finalmente, a operação cerebral qualificada como urgente desde março, apesar de todos as entraves e obstáculos que envolvem ser refém do Estado, estar sob custódia da maior polícia mais ferrenha do território que age com a lógica da vingança e da crueldade, e ademais estar submerso no repulsivo tecido burocrático.

Estas palavras, longe de qualquer vitimismo ou lástima, se encontram carregadas de vitalidade revolucionária, insurecta e subversiva. No constante exercício da solidariedade revolucionária recíproca que nós, prisioneirxs libertárixs levamos a cabo durante anos, se torna imprescindível comunicar os recentes passos dados nesta nova batalha. Não foi a primeiro e, sem dúvida, não será a última que como reféns do Estado teremos de enfrentar.

Eu gostaria de aproveitar esta comunicação para abraçar as diferentes iniciativas realizadas em Santiago, Concepción, Valdivia, Temuco e outros territórios, bem como os gestos internacionalistas que sabem atravessar fronteiras na Argentina, Uruguai, Brasil e Espanha… Gestos e atividades onde praticamos uma solidariedade que constrói e reforça nossas redes subversivas, que finalmente é o mais vital dos oxigênios para percorrer caminhos rumo à libertação total desde o confinamento.

Aqui permanecemos firmes, inabaláveis e orgulhosos de ter essa linda cumplicidade rebelde que atravessa territórios, se expande, se multiplica e nos permite enfrentar tudo o que vem.

Enquanto existir miséria, haverá rebelião!

Juan Aliste Vega

Prisioneiro Subversivo

Hospital Penitenciario

Julho 2018.

CHAMADO PARA UMA FEIRA DE MATERIAIS INDEPENDENTES – ATIVIDADE DA SEXTA SEMANA INTERNACIONAL PELXS ANARQUISTAS PRESXS

via e-mail [tormentasdefogo@riseup.net]

Em resposta ao chamado da “sexta semana internacional em solidariedade pelxs anarquistas presxs”, que acontecerá do dia 23 ao 30 de agosto, haverá uma primeira feira de inverno de materiais independentes no dia 25 deste mês.

Este é um chamado aberto para quem quiser nos enviar propostas com o foco anti autoritário para somar na atividade. Além disso, é principalmente um convite para participar dessa iniciativa no espaço Tia Estela, situado de baixo do “viaduto alcântara machado” em São Paulo. Toda contribuição para autogestão do espaço é bem-vinda.

A luta pela liberdade não acontece sem a luta contra as prisões. Estes espaços repugnantes estão cercados por muralhas, formas violentas de controle, dispositivos de segurança e vigilância constante. Sem uma estrutura como estas seria impossível de algum Estado ou qualquer governo manter-se no poder. É necessário enxergar as cadeias não só como a principal ferramenta da dominação contra as pessoas subversivas que preferem a guerra à passividade das massas, mas também como laboratório do sistema e um dos principais meios para perpetuar a escravidão e o trabalho.

Uma batalha foi perdida porém mesmo atrás das grades a luta continua. Dentro das cadeias está, de maneira contida e continuada, os conflitos contra os aparatos jurídicos dos estados nação e toda sociedade moralista que lhe dá suporte. Essa realidade prolonga a caminhada pela destruição da civilização, das máquinas predatórias do mundo cibernético e industrial, de todas as grades, muros e fronteiras que massacram a vida na terra.

Por essas e muito mais coisas, é necessário apoiar xs anarquistas presxs, não deixa-los sós e, com isso, voltar nosso olhar para as pedras pilares que dão corpo ao inimigo.

“Viver a anarquia comporta o risco de acabar no cárcere” – Marco, cárcere de Alexandria.

O cronograma completo estará disponível no dia 23 de Agosto.

Inverno Anárquico

invernoanarquico@riseup.net

[Bra$il] Roda de conversa em solidariedade com Marcelo Villarroel Sepúlveda

via e-mail [tormentasdefogo@riseup.net]

“Na próxima segunda-feira, no dia 23 de Agosto, acontecerá um encontro em solidariedade ao preso libertário Marcelo Villarroel Sepúlveda, que encontra-se encarcerado no presídio de segurança máxima de Santiago, território controlado pelo estado chileno, juntamente à Juan Aliste Vega.

Durante o encontro haverá leitura e escrita de cartas, atualizações sobre o “caso security” que se prolonga desde 2007 e uma conversa informal.

O encontro acontecerá no espaço tia estela, situado na okupa do viaduto no Brás, em São Paulo.

Para enviar qualquer mensagem, sugestões ou contribuições escreva para: atentadoautonomo@espiv.net

‘Enquanto houver miséria haverá rebelião’ “

“ATÉ TODXS ESTAREM LIVRES!” – 6a SEMANA INTERNACIONAL PELXS PRESXS ANARQUITAS

“ATÉ TODXS ESTAREM LIVRES” – 6a SEMANA INTERNACIONAL PELXS PRESXS ANARQUISTAS

23 – 30 DE AGOSTO

via SOLIDARITY INTERNATIONAL

tradução tormentasdefogo

Estamos retomando a semana global de solidariedade com xs anarquistas presxs. Desde o ano passado, muita coisa mudou em nossos países, mas no geral a tendência é piorar, com mais repressões aplicadas contra anarquistas, não só na Europa mas também em todo o mundo. Com isso em mente, nós convocamos a sexta semana anual de solidariedade!

No ano passado, muitas pessoas nos enviaram seus comunicados desde diferentes partes do mundo e esperamos que este ano a tradição cresça ainda mais. Precisamos apoiar nossxs compas! Use esta semana para divulgar as informações sobre xs anarquistas que estão atrás das grades. No país onde você vive não há anarquistas encarceradxs? Não se preocupe, apoie xs presxs em outros países da sua região ou use esses dias para aumentar a conscientização sobre os mecanismos de repressão e como as comunidades anarquistas podem combate-los!

Construa uma cultura de segurança, apoie xs presxs anarquistas e contra ataca!

Não hesite em continuar enviando seus comunicados para tillallarefree@riseup.net!

Ninguém é livre até todxs estarem livres!

 

ATUALIZAÇÃO SOBRE O “CASO 21 DE MAIO”

via PUBLICACION REFRACTARIO

Finalmente, no dia 7 de julho de 2018, a corte de Valparaíso proferiu um veredito contra xs 6 acusadxs pelo incêndio em 21 de maio de 2016 e a morte do guarda municipal Eduardo Lara.

Sob os crimes de porte de bomba incendiária e incêndio resultando em morte, o tribunal decidiu ditar vingança contra os 6 acusados.

Miguel e Felipe decidiram não aparecer, encontrando-se felizmente fugidos e longe das garras da polícia até agora. Ainda assim a sentença foi a seguinte:

Miguel Ángel Varela Veas: Autor do crime de incêndio que resultou em morte + porte de bomba Molotov: 12 anos de prisão (incêndio) + 3 anos de prisão (Lei de controle de armas)

elipe Ríos Henríquez: Autor do crime de incêndio que resultou em morte: 12 anos de prisão.

Constanza Gutiérrez Salinas: Coautora do crime de incêndio resultando em morte: 10 anos de prisão.

Hugo Barraza Araya: Co-autor do crime de incêndio que resultou em morte: 10 anos de prisão.

Nicolás Bayer Monnard: Co-autor do crime de incêndio que resultou em morte: 10 anos de prisão.

Rodrigo Araya Villalobos: Co-autor do crime de incêndio que resultou em morte: 10 anos de prisão.

Constanza, Hugo, Nicolas e Rodrigo permanecerão nas ruas até que a sentença seja definitiva e ratificada, após os recursos e revisão de nulidade da sentença.

INDONÉSIA: ATUALIZAÇÕES SOBRE XS PRISIONEIRXS ANARQUISTAS EM YOGYAKARTA

 

protesto durante o 1 de Maio em Yogyakarta, no território dominado pelo Estado da Indonésia.

via MPALOTHIA

tradução tormentas de fogo

“A prisão é um marco no caminho dxs revolucionárixs rumo à liberdade. É uma parada intermediária, mas não é o fim”Conspiração de Células de Fogo

Desde o dia 1o de maio de 2018 até hoje (4 de julho de 2018), xs prisioneirxs anarquistas em Yogyakarta ainda não enfrentaram processos judiciais. As informações recebidas são de que xs prisioneirxs anarquistas deveriam ter sido transferidos para a Prisão Cebongan em Sleman em 29 de junho de 2018, pois o promotor xs mantém na delegacia de polícia de Yogyakarta desde 1º de maio para o processo de investigação. No entanto, a transferência planejada foi cancelada e o período de detenção na delegacia de Yogyakarta foi prorrogado até 30 de julho de 2018, com base em mais investigações.Acreditamos que o processo de investigação prolongada é devido a este caso ser politizado, é evidente, pelas muitas opiniões que vieram à tona, que a ação no 1º de maio foi um ato de oposição contra o governo.

Quanto à condição dos prisioneiros anarquistas de Yogyakarta, um deles, Brian Valentino (UCIL), foi levado ao hospital devido a problemas respiratórios e problemas de estômago. Agora, Ucil ainda está se recuperando, mas ele continua de bom humor e está sempre espalhando sorrisos para outros prisioneiros. Quanto axs outrxs prisioneirxs anarquistas, todos estão em boa saúde física e psicologicamente, mas sabemos da pressão que sofrem de várias partes, especialmente da polícia e do estado.

Continuaremos a fornecer informações sobre a situação dxs prisioneirxs anarquistas e o andamento do caso. Obrigado a todxs xs amigxs que demonstraram solidariedade para xs prisioneirxs anarquistas de Yogyakarta.

“Infelizmente, o sonho que carregamos em nossos corações é grande demais para evitar o risco de nos encontrarmos contra a parede monstruosa de autoridade erguida em defesa do Estado e do Capital” Nicola Gai

 

 

México: Comunicado público do grupo Conspiração Células de Fogo (CCF)

via CONTRAINFO

tradução tormentas de fogo

Contra todo o poder e seus múltiplos “mundos”, pela reconstituição da Conspiração das Células de Fogo (CCF) do México.

– Uma resposta pública ao nauseante manifesto anarco-populista

“Devemos nos lembrar de nossas experiências passadas, não para imitá-las, mas para ir muito além” – Compas encarceradxs do CCF-Grécia

Às vezes é conveniente deixar passar o tempo para processar os fatos. Já se passaram 20 dias desde que os anarco-demagogos do México emitiram seu “manifesto” de apoio a Peje (//www.alasbarricadas.org/noticias/node/40136), inspirado na suposta “oportunidade” para os anarco-comunistas “para passar o projeto morenista à esquerda” e tornaram pública sua lista de “30 personalidades comprometidas com a soberania popular” eleitas para formar a coordenação nacional de uma “Frente Popular Classista”.

Esperávamos ter lido ou ouvido algumas críticas deste escrito a partir de diferentes posições libertárias, embora o tempo tenha decorrido e o silêncio cúmplice tenha acompanhado o manifesto.

Os signatários do documento sob o pseudônimo de “Alguns Libertarios Organizados” clamam, sem vergonha nenhuma, para construir o Poder Popular à baixo e à esquerda através da rota eleitoral para depois implantar o “Comunismo Libertário no nariz do Império”.

Certamente, são poucos os grupos “libertários” que publicamente tem afirmado um discurso anarco-populista tão nauseante e uma defesa tão cínica dos princípios neo-plataformistas e sua fórmula de poder popular. No entanto, não há uma única publicação do “anarquismo organizado” no México que não tenha aludido ao cansaço do “povo” e a sua defesa, da mesma forma que eles se pretendem “abaixo e à esquerda” com alegria singular. Portanto, não nos surpreende que esse discurso oportunista tenha promotores e defensores supostamente “anarquistas”.

Aparentemente, sua proposta não teve grande repercussão entre os outros grupos de anarco-demagogos ou eles decidiram permanecer “à margem” até as “coisas se definirem” e, assim, evitar “passos sem guarida”. Mas temos certeza sobre quais são suas pretensões.

Esse “manifesto” viria a ser o segundo texto dos anarco-populistas e, mais uma vez, eles publicariam um diagnóstico equivocado, dando como mortos xs informalistas e xs “insurreicionárixs inoperantes” no México.

Temos muito orgulho em dar a você a má notícia de que a tendência anárquica informal no México está em muito boa saúde e que suas conclusões errôneas não estão de acordo com a realidade. Que alguns grupos de afinidade anárquica decidiram se dissolver ou parar de reivindicar suas ações não representa “a morte” do informalismo no México ou “a retirada” da guerra anárquica. E para dizer que basta: anunciamos a reconstituição da Conspiração das Células de Fogo (CCF) no México.

Estamos inseridxs num debate internacional sobre as alternativas organizacionais e o dilema da reivindicação, dando seguimento à discussão em curso entre compa camarada Cospito e xs compas presxs do CCF-Grécia, bem como as contribuições para o novo ilegalismo dos compas Pombo Da Silva, Rodriguez e Argyrou.

Concordamos plenamente com Cospito que a criação de um “movimento anarquista autônomo”, ou um “pólo anarquista autônomo para a organização da guerrilha anarquista urbana” ou uma “Federação Anarquista Internacional”, é um passo atrás no desenrolar do novo ilegalismo e da tendência informalista. Um retorno ao passado, à era dos esquemas que nos coloca em risco de chegar novamente a uma organização clássica específica de síntese, um instrumento antigo, um bisturi enferrujado. Concordamos com o Cospito que formar uma organização estruturada através da criação de assembléias levaria inevitavelmente à criação de organizações específicas, distorcendo assim o objeto da informalidade, desviando-se dos objetivos que estabelecemos para nós mesmos.

É por isso que nesta segunda geração do CCF nós não nos assumimos como um grupo de afinidade ou como uma nova coordenação de células através do território mexicano (como xs compas que nos precederam) ou como uma federação, mas como uma arma, um metodologia da práxis, um pseudônimo sob o qual operariam até mesmo aquelxs compas totalmente alheixs a qualquer organização ou coordenação, um meio que possa ser usado por qualquer anarquista ou grupo de afinidade que aspire à destruição aqui e agora.

O ressurgimento desta proposta limita-se a ser um chamado a todos os informalistas, aos individualistas, anarco-niilistas, novxs insurreicionárixs para redobrar a guerra anárquica contra toda a autoridade a partir deste abrangente slogan. Reivindiquemos todas as nossas ações sob esta crescente Conspiração, criando assim novos caminhos de conflito permanente, separados da uniformidade, da ideologia e da pestilente política.

Ao contrário dos anarco-demagogos, nós não chamamos para votar, mas sim para uma abstinência insurreicionária consciente. Seu maldito circo eleitoral não se importa, nós reconhecemos que todos os candidatos em disputa são da mesma laia (talvez uns mais populistas que outros), mas mesmo que alguns façam a diferença, não seremos cativados por canções de sereias. Nós não nos importamos com suas reformas, suas transformações ou suas revoluções por um mundo melhor. Lutamos contra o sistema de dominação, contra toda autoridade, contra todo o poder, mesmo que seja chamado de popular. Nós lutamos pela destruição aqui e agora, nós lutamos pela libertação total. Que fique quem ficar, a nossa guerra continua.

Pela tendência anárquica informal!

Pela Internacional Negra!

Pela anarquia!

Conspiração das Células de Fogo (sem apelidos)

20/06/2018

CHILE: ATUALIZAÇÕES SOBRE O “CASO SECURITY”

via CONTRAINFO

tradução tormentas de fogo

21/06/2018 – Sobre a situação do compa Marcelo

Marcelo Villarroel Sepúlveda, é um combatente subversivo e atual preso político, que sempre esteve na linha de frente de diferentes momentos da luta de classes no Chile, desde o fascista Pinochet até seus continuadores que agora administram o grande capital, fato que o levou a estar quase metade de sua vida atrás das grades.

De muito “moleque”, e como muitos outros jovens populares, ele se juntou ao Movimento Jovem Lautaro nos combates contra a ditadura, recuperando comida e outros suprimentos para a população, fazendo propaganda armada e golpeando os símbolos de poder daqueles anos, cujo complexo grupo político MAPU-LAUTARO definiu como: “Guerra Insurrecional de Massas”

Depois de viver a repressão nas prisões de Pinochet, como outrxs lutadorxs, ele decidiu não engolir a história da transição acordada, entendendo que o fim da ditadura militar foi a continuidade da ditadura do grande capital, então ele não parou de lutar contra a opressão. Assim sendo ele cai preso em 1992, cumprindo prisão por 11 longos anos.

Uma vez detido na “democracia”, e depois de ser afastado do MAPU-LAUTARO por assumir uma posição libertária, Marcelo juntamente com outrxs compas fundou o coletivo “Kamina Libre”, realizando várias atividades anti-prisões e anti-autoritárias em diferentes partes.

Em 2007, Marcelo e outros compas são acusados de autoria de algumas recuperações bancárias em que um policial é morto, razão pela qual uma imensa operação repressiva está sendo realizada no Chile e na Argentina, resultando na prisão de várias pessoas.

Apesar de estar perto de cumprir o prazo para começar a solicitar os benefícios penitenciários por sua última condenação, o Estado pede a Marcelo mais de 40 anos de prisão da vergonhosa justiça militar por ações dos anos 90, evidenciando a clara intenção.de mantê-lo encarcerado por toda a vida, por causa de sua audácia de nunca ter sido domesticado pelas leis da injustiça e do capital.

LIBERDADE PARA O COMPA MARCELO VILLAROEL SEPÚLVEDA!
ENQUANTO HOUVER MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!

20/06/2018 – O COMPA FREDDY SAI DA PRISÃO!

Comunicado dos prisioneiros subversivos Juan Aliste Vega e Marcelo Villarroel Sepúlveda:

À quem combate contra o estado, a cadeia e o capital em todo o mundo.

– Para os nossos compas e irmãos lutadores.
– Para todas as pessoas que nos acompanharam nestes 10 anos de resistência ao encarceramento.
– Aos Núcleos, grupos, organizações e indivíduos subversivos e libertários autônomos.
– Para nossas famílias.

Ontem, segunda-feira, 18 de junho de 2018, nosso irmão, amigo e companheiro Freddy Fuentevilla Saa deixou a prisão de segurança máxima em Santiago do Chile depois de 10 anos e quase 3 meses de confinamento ininterrupto, sob o que a justiça do poder denomina por “liberdade condicional”.

Relatar este longo trajeto, seus avatares, cada momento no cativeiro é difícil nestas cartas carregadas de sentimentos encontrados onde hoje domina a imensa alegria de ver um dos nosso caminhando parafora destes muros, reencontrando-se com seus amores e carinhos que alimentam o coração indomável de todxs xs que não renunciam nem se curvam diante do tempo horrendo do cativeiro.

A inexorável passagem do tempo hoje nos dá uma mão permitindo que que nosso compa novamente olhe para o céu sem barras de ferro, saindo desses espaços estreitos de cimento e metal penitenciário que não foram capazes de acabar com nossa férrea convicção insurrecta.

Em cada passo dado, com a aprendizagem constante e a vontade intacta continuamos irmanados com todxs que se rebelam perante um mundo doente que somente nos oferece uma vida descartável, cimentada com os valores mais pútridos que poderíamos ter imaginado e que estão anunciando o desaparecimento da vida caso nós não nos opormos através da resistência multiforme persistente.

O mundo do poder, da autoridade e das hierarquias, do nazifascismo em todas as suas variantes e cores, a pretensão de controle total e a ideologia que o justifica continuam a ser destinatários da nossa eterna raiva ancestral e por isso insistimos na continuidade da luta mais além das grades e das paredes onde hoje ainda seguimos em punho alto.

Nossas batalhas atuais são urgentes!

Redobrar os esforços para superar a indiferença dos carcereiros com a qual neste momento tratam a situação médica de Juan é urgente.

Da mesma forma, a situação jurídica de Marcelo, que deve cumprir 10.123 dias de prisão de acordo com as condenações provenientes dos ministérios militares da década de 90, é uma aberração.

A prisão é vivida dentro e fora das paredes perimetrais… em nenhum caso o nosso irmão está livre, hoje só pode caminhar através das ruas com medidas severas de controle como assinatura semanal e restrições de deslocamento regional, além do inevitável controle policial.

Um passo mais perto dos seus, um momento necessário para recuperar o oxigênio depois de tantos anos atrás das grades.

Nós abraçamos com firmeza e cumplicidade subversiva todxs xs presxs dignxs que não se rendem nas cadeias do Chile, Argentina, Brasil, Peru, Colômbia, México, EUA, Itália, Espanha, Grécia, Rússia, Ucrânia e em todos os rincões do planeta onde se luta de forma autônoma e horizontal, buscando a libertação total dos povos, indivíduos e comunidades.

Com carinho e fraternidade aos perseguidos que caminham zombando da lei…

SOLIDARIEDADE E FRATERNIDADE INTERNACIONALISTA PELA DEMOLIÇÃO DAS PRISÕES!!!

CONTRA O ESTADO, O CÁRCERE E O CAPITAL: GUERRA SOCIAL!!!

ENQUANTO HOUVER MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!!!

VALPARAISO: ATUALIZAÇÕES SOBRE O CASO “21 DE MAIO”

 

via PUBLICACION REFRACTARIO

tradução tormentas de fogo

26/06/2018

“Declaram culpadxs xs 6 companheirxs processadxs pelo caso 21 de mayo + veredito”

No dia 26 de junho de 2018, Francisco Hermosilla, Mario Fuentes Melo e Valeria Echeverría decidiram novamente sobre a vida das pessoas. Os três juízes miseráveis do IV Tribunal Penal Oral de Valparaíso, no alto do seu pódio cumpriram seu papel de engrenagens do sistema jurídico-prisional.

Desta vez decidiram emitir um veredito condenatório contra 6 compas acusadxs de participar dos distúrbios de 21 de maio em 2016, no qual o guarda municipal Eduardo Lara morreu asfixiado em uma farmácia nas imediações, por conta da fumaça gerada pelo incêndio.

O nauseante poder judiciário considerou xs compas culpadxs pelos seguintes delitos:

Miguel Ángel Varela Veas: Autor do crime de incêndio que resultou em morte + porte de bomba molotov.

Felipe Ríos Henríquez: Autor do crime de incêndio resultando em morte.

Constanza Gutiérrez Salinas: Coautora do crime de incêndio resultando em morte.

Hugo Barraza Araya: Co-autor do crime de incêndio resultando em morte.

Nicolás Bayer Monnard: Co-autor do crime de incêndio resultando em morte.

Rodrigo Araya Villalobos: Co-autor do crime de incêndio resultando em morte.

O perseguidor do caso “21 de maio”, ou promotor Cristián Andrade, que solicitou sentenças de 15 a 25 anos, comemorou que o tribunal aceitou sua tese: “Existe uma conformidade em haver reconhecido que a morte de Eduardo Lara foi produto do incêndio”.

Lembre-se que xs 6 companheirxs permaneceram nas ruas sujeitxs a várias medidas cautelares (assinaturas no fórum, canseiras e, em alguns casos, prisão domiciliar), mas na audiência de hoje a acusação solicitou prisão preventiva enquanto aguardava a condenação, rejeitada pelo tribunal.

Assistiram à audiência Hugo, Constanza, Nicolás e Rodrigo Araya, enquanto os companheiros Miguel e Felipe se recusaram a vir, resultando numa ordem de prisão contra ambos.

A sentença, onde o tribunal decretará os anos da condenação dxs compas, será lida no dia 7 de julho às 10: 00hrs, desde então a defesa poderá recorrer da nulidade do julgamento.

Hoje, novamente, observamos uma evidente vingança jurídica exercida durante um processo político. Não importam as imagens desconexas mostradas pela polícia, a falta de qualquer teste de hidrocarboneto ou até mesmo os relatórios da ANI especulando sobre alguém responsável. Hoje o laudo judicial afirma como relação direta a participação nos tumultos de 21 de maio, o ataque incendiário a uma farmácia com a morte por sufocamento de um trabalhador municipal trancado por seus patrões, que estavam vários andares acima. A confusão é completa em função de manter a razão do Estado.

Esta sentença é um ataque à luta rueira e às expressões transbordadas nas manifestações, procurando mostrar alguns responsáveis para satisfazer os desejos de vingança do município de Valparaíso. Hoje como ontem nem o silêncio, nem a passividade são táticas para enfrentar o linchamento legal.

SOLIDARIEDADE ATIVA E INSURRECTA COM XS COMPAS CONDENADXS!!!

ACOMPANHAR, APOIAR E ABRIR CAMINHOS PARA XS COMPAS MIGUEL E FELIPE!!!

“Xs 6 indiciadxs são parte ativa do movimento social contra o extrativismo em seus respectivos territórios, principalmente na luta regional contra o mega projeto colonizador de devastação da natureza, conhecido por suas iniciais: IIRSA

No contexto do protesto social convocado por diversas organizações no dia 21 de maio de 2016, enquanto acontecia a conta pública anual no congresso nacional, milhares de pessoas se reuniram para demonstrar sua insatisfação com as políticas públicas neoliberais. Nesse cenário, houve vários confrontos com a polícia, onde individualidades e coletividades atacaram símbolos do capitalismo, do consumo e da exploração. Dentro dos edifícios afetados está o incêndio de uma farmácia, localizada em um prédio cujos andares superiores abrigavam escritórios municipais. Infelizmente, neste incidente em que o fogo se espalhou por toda a estrutura, um trabalhador municipal morreu sob condições de trabalho questionáveis; ele estava dentro da propriedade danificada. O dia terminou sem detenções em relação a esse fato específico.

Depois de 3 meses do trágico evento, através de espetacularizações nas cidades da quarta e quinta região, que ainda tiveram, em todos os momentos, a presença de uma equipe de imprensa do canal 13, 6 compas são presxs. Elxs são enquadradxs no dia seguinte e em função da falta de evidências por parte promotoria, a medida preventiva requerida de prisão preventiva não é obtida. A investigação é postergada num prazo de 6 meses; No entanto, durante o processo e sem novas evidências, a medida de precaução para uma das pessoas acusadas é alterada para prisão domiciliar.

O megaprojeto da IIRSA foi rejeitad por grande parte das organizações sociais que habitam os territórios afetados. Tornou-se um tema transversal para vários setores e organizações, juntamente a uma grande variedade de grupos, nos quais xs acusadxs participam, levando adiante fóruns e outras atividades informativas para disseminar esse problema. Denunciamos que essas atividades relacionadas à defesa de terras e territórios têm sido constantemente monitoradas pela polícia e pelos serviços de inteligência: por meio de gravações, controle de identidades e outras técnicas de assédio. O Ministério Público Federal incorporou à pasta de investigação e, entre as alegadas evidências, material audiovisual registrado em atividades organizadas em torno deste assunto realizadas antes e após o evento investigado. Essa situação evidencia uma perseguição política, previamente articulada, que pretende criminalizar e punir idéias e grupos de amigxs e afines. Perseguição que busca deter e reprimir a articulação do genuíno e necessário protesto contra os projetos extrativistas, que atentam contra a natureza e a própria vida. Denunciamos também um processo falho, cheio de irregularidades e influenciado, obviamente, por razões políticas.”